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“Tempestade na COP11”: Vereadores de Itaiópolis denunciam exclusão de representantes e temem impacto na fumicultura

A sessão mais recente da Câmara de Vereadores de Itaiópolis foi marcada por discursos acalorados sobre os primeiros movimentos da COP11, conferência internacional da Organização Mundial da Saúde (OMS) em Genebra, na Suíça. Parlamentares que representam municípios fumicultores afirmaram que decisões discutidas no evento podem afetar diretamente mais de 42 mil famílias em Santa Catarina, sendo 15 mil apenas no Planalto Norte.

As falas dominantemente críticas surgem após a comitiva brasileira ligada ao setor do tabaco ter acesso negado às discussões da conferência, segundo relatos dos vereadores.

Vereador expressa indignação com pautas da OMS

O vereador Emerson Woiciechovski, fumicultor e defensor da cadeia produtiva do tabaco, afirmou estar “indignado” com o início da COP11. Em sua fala, Woiciechovski destacou que a semana representa “a síntese do que se discute o ano inteiro” entre produtores.

Segundo ele, a conferência divide o país entre “quem defende e quem ataca o produtor”. O parlamentar criticou a secretária da CUNIC, VERA, mencionando que, na visão dele, ela “não conhece a realidade da fumicultura”. Woiciechovski também se posicionou contra a possibilidade de retirada do filtro do cigarro — tema previsto na pauta da OMS — alegando que a mudança não considera a realidade dos agricultores.

Ele afirmou ainda que representantes do setor foram informados sobre uma possível discussão envolvendo a criminalização do produtor de tabaco por danos ambientais, ponto que o vereador rejeitou, citando que o sistema integrado já obriga o uso de madeira exótica, proíbe mão de obra infantil e impede trabalho análogo ao escravo.

Acesso negado à comitiva brasileira

Durante a sessão, Woiciechovski relatou que parlamentares e representantes do setor, incluindo o deputado federal Rafael Pezenti, o vice-presidente da Amprotabaco Emerson Maas e autoridades da Cidasc, tiveram entrada barrada nos debates em Genebra.

O vereador criticou a transparência da conferência:

“Que COP é essa em que só um lado pode entrar?”, questionou.

Segundo ele, a comitiva levou dados, argumentos técnicos e informações atualizadas sobre o setor, mas não pôde apresentá-los.

Parlamentares defendem importância econômica do tabaco

A manifestação de Woiciechovski recebeu apoio de outros vereadores.

“É injusto”, diz vereadora Josette Tavares

A vereadora Josette Tavares afirmou ter origem em família de fumicultores e classificou como “injusto” o impedimento da fala dos representantes no evento. Para ela, o tabaco garante renda, moradia e estabilidade para milhares de famílias.

Vereador Januário Donizete vê risco para pequenos produtores

O vereador Januário Donizete alertou que o excesso de regulamentações pode inviabilizar a atividade para pequenos agricultores:

“As leis podem deixar o tabaco nas mãos dos poderosos.”

Ele citou que futuras exigências técnicas — como engenheiros responsáveis e novas normas para estufas — podem aumentar custos e excluir os pequenos produtores.

Celestino destaca trajetória do setor

O vereador Celestino afirmou que, apesar de previsões antigas sobre o fim da fumicultura, o cultivo permanece forte. Ele defendeu que o produtor segue regras rígidas e que não há destruição de vegetação nativa. Celestino reforçou que a discussão no Brasil envolve também questões políticas.

Sandra critica políticas nacionais

A vereadora Sandra questionou a diferença entre a regulamentação suíça e a brasileira, mencionando que produtos derivados do tabaco teriam regras claras de comercialização no país sede da COP11. Para ela, “falta isonomia no tratamento ao setor no Brasil”.

Produção de tabaco como eixo econômico

Os vereadores reforçaram que Itaiópolis é um dos maiores produtores de tabaco de Santa Catarina, e que a atividade sustenta a economia local. O tabaco, segundo as falas, é considerado “avalista” para outras culturas agrícolas, especialmente diante da alegação de que os produtores não têm acesso ao Pronaf há 20 anos.

Para os parlamentares, políticas internacionais e nacionais podem causar impactos graduais, mas significativos, na base econômica do município caso não haja espaço para diálogo na COP11.

Por Demais FM

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