Eleições 2026

Estreia no rádio expõe estratégias para o Governo de SC: Jorginho aposta em superprodução, Merísio ataca bolsonarismo e João Rodrigues vai à emoção

Foto: Alan Pedro/ND Mais

A campanha pelo Governo de Santa Catarina entrou, nesta sexta-feira (28), em uma nova e decisiva etapa. A estreia dos candidatos no horário eleitoral gratuito de rádio e televisão revelou não apenas quem são os concorrentes, mas principalmente como cada campanha pretende disputar o eleitor catarinense nas próximas semanas.

Os primeiros programas mostraram estratégias bastante distintas. Houve superprodução, inteligência artificial, apresentação de realizações administrativas, ataques políticos, referências a Lula e à família Bolsonaro, histórias pessoais e até lágrimas diante das câmeras.

Ralf Zimmer (PRD), Jorginho Mello (PL), Gelson Merísio (PT) e João Rodrigues (PSD) foram os candidatos que apareceram na primeira rodada da propaganda para governador.

A ordem e a distribuição do tempo foram estabelecidas pela Justiça Eleitoral. E a diferença de espaço entre os candidatos ficou evidente já na estreia.

Ralf Zimmer: 24 segundos para tentar se apresentar como alternativa

Com apenas 24 segundos, Ralf Zimmer teve o desafio mais difícil: apresentar uma candidatura ao Governo de Santa Catarina praticamente em formato de mensagem direta. Sem espaço para grandes produções ou uma narrativa mais elaborada, Zimmer destacou aspectos positivos do Estado, mas argumentou que Santa Catarina ainda possui problemas que precisam ser enfrentados. “Acredito ter o melhor projeto para nosso estado”, afirmou.

A estratégia foi simples: aproveitar cada segundo para apresentar sua candidatura como uma alternativa aos nomes com maior estrutura e tempo de televisão.

Jorginho transforma programa em vitrine do governo

O governador Jorginho Mello, candidato à reeleição pelo PL, apareceu em seguida e utilizou seus 3 minutos e 8 segundos para construir um programa com características de superprodução. Batizado de “Programa do Jorginho”, o material combinou trilha sonora, diferentes enquadramentos, recursos tecnológicos e utilização de inteligência artificial. Politicamente, a estratégia foi clara: associar a candidatura à continuidade do atual governo.

Jorginho apresentou projetos desenvolvidos durante sua gestão e, ao mesmo tempo, procurou humanizar sua imagem. Uma das passagens pessoais escolhidas foi a história de seu nascimento prematuro. O programa também reservou espaço para o candidato a vice-governador, Adriano Silva (Novo), prefeito de Joinville. A participação reforçou a composição da chapa e procurou aproximar a campanha do maior município catarinense.

A estreia indicou que Jorginho pretende trabalhar simultaneamente em duas frentes: mostrar entregas do governo e apresentar aspectos pessoais de sua trajetória.

Merísio escolhe confronto e coloca Bolsonaro no centro da estreia

Gelson Merísio (PT) teve 2 minutos e 14 segundos e seguiu por um caminho completamente diferente. Em vez de concentrar a estreia exclusivamente em sua biografia ou em propostas administrativas, o candidato adotou uma postura mais ofensiva. Boa parte do programa foi ocupada por um jingle com provocações à família Bolsonaro e a integrantes do PL. A mensagem foi construída em torno da expressão “seremos resistência”.

A escolha revela uma estratégia de polarização já no primeiro programa. Merísio também fez questão de destacar sua ligação com o presidente Lula e afirmou que, se eleito, buscará ampliar obras e investimentos federais destinados a Santa Catarina. Com isso, sua campanha apresentou ao eleitor uma divisão política bastante definida: de um lado, o campo político representado pelo PL e pelo bolsonarismo; do outro, a candidatura petista alinhada ao governo federal.

João Rodrigues coloca família, lágrimas e emoção diante das câmeras

João Rodrigues (PSD) teve o maior tempo entre os quatro candidatos: 3 minutos e 11 segundos. E decidiu utilizar boa parte desse espaço para trabalhar sua imagem pessoal.

Com música de fundo e uma narrativa mais emotiva, Rodrigues apresentou sua trajetória política, especialmente sua experiência como prefeito de Chapecó, e procurou se definir como alguém próximo da população. Uma das expressões utilizadas foi “cuidador de pessoas”.

Imagens de eleitores emocionados ajudaram a construir essa narrativa. O momento mais pessoal ocorreu quando sua esposa e suas duas filhas, vestidas de branco, apareceram ao seu lado. As três se emocionaram e choraram diante das câmeras. João Rodrigues também demonstrou emoção.

Mas um detalhe político chamou atenção no encerramento. Mesmo disputando o Governo de Santa Catarina contra Jorginho Mello, candidato do PL, Rodrigues terminou sua participação utilizando a expressão “Deus, pátria e família”, fortemente associada ao discurso político bolsonarista.

A escolha não parece casual. Em uma eleição na qual o eleitorado conservador catarinense tem peso significativo, a campanha do PSD sinaliza que pretende disputar esse público mesmo sem carregar oficialmente a candidatura ligada à família Bolsonaro.

Quatro programas e quatro estratégias

A estreia permite identificar, ainda que de maneira preliminar, o desenho das campanhas. Jorginho Mello entra na televisão como governador que busca transformar realizações administrativas em argumento para a reeleição.

João Rodrigues procura construir a figura de um gestor próximo das pessoas, usando emoção, família e elementos do discurso conservador. Gelson Merísio aposta na polarização nacional, assumindo sua ligação com Lula e confrontando diretamente o bolsonarismo. Ralf Zimmer, limitado pelo pequeno tempo de exposição, tenta utilizar mensagens objetivas para se apresentar como uma alternativa aos principais grupos da disputa.

É apenas o começo. Os programas serão modificados ao longo da campanha conforme pesquisas, repercussões e movimentos dos adversários indiquem quais estratégias estão funcionando.

Como funciona o horário eleitoral em Santa Catarina

A propaganda eleitoral gratuita seguirá uma divisão específica conforme os cargos em disputa. Às terças, quintas e sábados, serão exibidos os programas destinados às candidaturas à Presidência da República e à Câmara dos Deputados. Cada bloco terá 12 minutos e 30 segundos para cada uma dessas disputas. Já às segundas, quartas e sextas-feiras, entram no horário eleitoral as campanhas para Senado, Assembleia Legislativa e Governo de Santa Catarina. São sete minutos destinados aos candidatos ao Senado, nove minutos aos candidatos a deputado estadual e outros nove minutos para a disputa pelo governo estadual.

No rádio, os blocos são exibidos das 7h às 7h25 e das 12h às 12h25.

Na televisão, a propaganda vai ao ar das 13h às 13h25 e das 20h30 às 20h55.

A ordem não permanecerá a mesma. Depois da definição inicial, passa a funcionar um sistema de rodízio: quem aparece por último em uma determinada exibição passa para a primeira posição na próxima propaganda daquele cargo. O modelo seguirá até 1º de outubro.

A estreia desta sexta-feira, portanto, foi muito mais do que a apresentação dos candidatos. Foi o primeiro retrato das estratégias que deverão marcar a disputa pelo Governo de Santa Catarina em 2026 — e mostrou que a batalha pela televisão será travada entre gestão, polarização, conservadorismo e emoção.

Por Demais FM / ND+

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