A comunidade escolar de Witmarsum, no Alto Vale do Itajaí, se mobiliza contra mudanças propostas pela administração do prefeito Pauli Zerna (PP) e do vice-prefeito Sérgio Borges (MDB), com apoio da secretária de Educação Cheila Aparecida Modolon. O movimento “Unidos pela Educação” questiona a falta de diálogo e pede transparência nas decisões que afetam diretamente o futuro da rede municipal de ensino.
LEIA MAIS: Projeto que substitui segundo professor por agente de apoio gera mobilização em Presidente Getúlio
Professores criticam risco de precarização
O grupo contesta o Projeto de Lei Complementar nº 109/2025, que cria cargos de apoio escolar com exigência apenas de ensino médio e curso de 80 horas. Segundo o movimento, a medida pode reduzir a qualidade do atendimento às crianças, especialmente na educação especial, ao substituir professores em formação por auxiliares com preparo limitado.
Durante manifestação na Câmara de Vereadores, que ocorreu na última terça-feira, 4, a professora Guiomar de Souza alertou que o projeto permite que esses profissionais auxiliem nas práticas pedagógicas, o que, segundo ela, fere a Lei Brasileira de Inclusão. “Esses profissionais não têm preparo para lidar com todas as neurodiversidades. O apoio deve ser operacional, e não pedagógico”, afirmou.
Ela destacou que, só na Escola Nossa Senhora das Graças, há 40 alunos com diferentes diagnósticos e necessidades de acompanhamento especializado. “O professor regente vai ficar sobrecarregado, e isso afeta toda a turma. A qualidade do ensino vai cair”, disse Guiomar.
Comunidade pede audiência pública e revisão do projeto
O movimento “Unidos pela Educação” exige estudos técnicos que comprovem a efetividade das mudanças e solicita uma audiência pública com a participação da comunidade escolar antes da votação final do projeto. O grupo defende que a educação é investimento e não deve ser tratada como área de cortes ou experimentos administrativos.
O manifesto também questiona gastos com novos materiais pedagógicos e a criação de cargos administrativos enquanto se reduzem vagas de professores. “Ampliar o número de salas e vagas é importante, mas não às custas da formação e do trabalho docente”, destaca o documento.
Secretaria de Educação defende reestruturação
Em resposta às críticas, a secretária de Educação Cheila Aparecida Modolon afirmou que as mudanças visam reorganizar a rede municipal e atender exigências legais. “Hoje temos apenas o cargo de professor, o que não supre as demandas. Criamos cargos de técnico administrativo, monitores de transporte e profissionais de apoio para organizar melhor a estrutura”, explicou.
Cheila disse ainda que o projeto foi elaborado com assessoria jurídica e cumpre orientações do Ministério Público. Ela também destacou que a secretaria pretende implementar um novo sistema de ensino, o FTD, com materiais e plataforma digital para fortalecer o trabalho pedagógico.
Diálogo continua sendo a principal reivindicação
Os professores e a comunidade escolar reforçam que não são contra o projeto, mas pedem mais transparência e participação nas decisões. “Queremos ser ouvidos. Educação de qualidade se constrói com diálogo”, concluiu Guiomar de Souza.
Confira a fala da Secretária de Educação de Witmarsum, Cheila Aparecida Modolon.
