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Irmãos fogem de plantação de cebola e denunciam situação análoga à escravidão em SC

Foto: Reprodução

Dois irmãos fugiram de uma plantação de cebola em Bom Retiro, na Serra catarinense, e denunciaram estar vivendo em situação análoga à escravidão em uma fazenda de cebolas. Eles relataram à NSC TV que escaparam após conseguirem uma carona pela rodovia BR-282 até Lages, na mesma região.

Os homens têm 19 e 20 anos e fugiram na semana passada. Segundo o Ministério Público do Trabalho (MPT), no início do mês uma força-tarefa foi feita no mesmo local onde eles trabalhavam e outras duas pessoas foram resgatadas.

Os proprietários do local já respondem ao inquérito civil e criminal. Segundo o MPT, um deles chegou a ser preso no mês passado, mas foi solto após pagamento de fiança. A defesa afirmou que não há nenhuma irregularidade foi confirmada e que o detido é apenas suspeito do caso.

Situação dos trabalhadores

Conforme as vítimas, a situação de trabalho era degradante. Na fazenda, eles dormiam no mesmo galpão em que as cebolas ficam armazenadas. Todos juntos em camas de madeira com poucos colchões.

“A situação em que a gente estava trabalhando é uma situação precária, tanto no alojamento quanto para condições para comer, tudo era situação precária”, relatou Hugo Rodrigues.

As paredes tinham frestas e eles não teriam cobertas para se proteger do frio durante a noite. O local também não teria banheiro. A Serra é a região mais fria de Santa Catarina.

Conforme os denunciantes, a colheita da cebola ocorria das 5h até quase 22h. Eles estariam sem salário e sem alimentação devida. Os dois irmãos são do Mato Grosso do Sul e vieram a trabalho para a Serra em dezembro.

“A gente praticamente estava trabalhando por ele para ganhar dinheiro só para ele, porque nós não ganhávamos nada. Questão de alimento, de água. Água a gente tomava do açude. Quero denunciar para mais pessoas não passarem por isso que a gente passou”, reforçou.

A denúncia dos irmãos será anexada no mesmo inquérito contra os proprietários da fazenda, informou o MPT.

Por Joana Caldas e Schaina Marcon, g1 SC e NSC TV

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