A primeira sessão da Câmara de Vereadores de Mafra após a operação do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO) foi marcada por manifestações sobre a investigação que apura supostas irregularidades envolvendo a administração municipal. O que chamou a atenção foi que, apesar de diferentes posicionamentos políticos, nenhum dos vereadores que utilizou a tribuna saiu em defesa do ex-prefeito e pré-candidato a deputado estadual Emerson Maas (MDB), citado na investigação.
Ao longo da sessão, oito parlamentares abordaram o assunto. Embora os discursos tenham apresentado diferentes enfoques, houve um ponto em comum entre todos: a defesa da continuidade das investigações, do esclarecimento dos fatos e do respeito ao direito à ampla defesa dos investigados.
Alguns vereadores adotaram um tom mais cauteloso, ressaltando que qualquer julgamento deve ocorrer somente após a conclusão das investigações conduzidas pelo Ministério Público de Santa Catarina. Outros fizeram críticas mais incisivas à antiga administração e à relação entre agentes públicos e empresas contratadas pelo município. Também houve manifestações de preocupação com os impactos da operação na imagem de Mafra.
O vereador Everton Demétrio (MDB) afirmou que acompanha o caso com respeito ao trabalho da Justiça e defendeu que todos os envolvidos tenham garantidos o contraditório e a ampla defesa. Ao mesmo tempo, destacou que o combate à corrupção deve ser prioridade e afirmou que o dinheiro público exige responsabilidade ainda maior por parte dos gestores.
O pronunciamento mais contundente foi do vereador Jonas Heide (PL), que criticou a antiga administração municipal e questionou a relação entre integrantes do governo e fornecedores ligados à realização de eventos públicos. Durante sua fala, também fez uma autocrítica ao sistema político local, afirmando que a própria Câmara possui responsabilidade institucional diante da situação enfrentada pelo município.
Já o vereador José Marcos Witt (PSDB) evitou antecipar qualquer julgamento, defendendo que apenas o andamento das investigações poderá esclarecer os fatos. Apesar disso, fez questão de destacar que sempre reconheceu as realizações da gestão de Emerson Maas, lembrando as obras executadas e o resultado eleitoral obtido pelo então prefeito, mas ressaltou que o momento exige responsabilidade e transparência.
Nereu Carvalho (Republicanos) afirmou que a investigação causa preocupação e prejudica a imagem da cidade, mas reforçou que todos os investigados têm direito à ampla defesa antes de qualquer conclusão definitiva.
O líder do governo na Câmara, Rafael Cavalheiro (MDB), lamentou a repercussão estadual da operação e disse que Mafra vinha conquistando destaque positivo em diferentes áreas. Segundo ele, ainda é necessário cautela na análise das informações divulgadas até o momento e confiança no trabalho realizado pelo Ministério Público e pelo GAECO.
O vereador Ronaldo de Mello Wolski (PL) também lamentou que o município volte a aparecer no noticiário policial, afirmando que a situação afeta toda a população mafrense e não apenas os investigados. Para ele, cabe agora à Justiça esclarecer os fatos e responsabilizar eventuais envolvidos.
Wagner Grossl Ramos de Oliveira (PL) destacou que a Câmara não pode permanecer omissa diante da repercussão do caso e defendeu que o Legislativo discuta medidas institucionais, caso as suspeitas sejam confirmadas.
Encerrando as manifestações sobre o tema, João Celso Cardoso (MDB) afirmou que o caso deve permanecer sob responsabilidade exclusiva do Poder Judiciário, evitando comentar o mérito das investigações.
Outros quatro vereadores — João Carlos Reiser (Republicanos), Sérgio Luiz Severino (PP), Valdir Sokolski Junior (Republicanos) e Vanderlei Peters (Podemos) — não abordaram a operação durante seus pronunciamentos. A vereadora Miriam Clara Schloegl (PRD) não participou da sessão.
A sessão evidenciou um cenário político de cautela dentro do Legislativo mafrense. Apesar das diferentes interpretações sobre os desdobramentos da operação, nenhum parlamentar utilizou a tribuna para defender Emerson Maas. O posicionamento predominante foi o de aguardar o avanço das investigações, respeitando o devido processo legal, enquanto os vereadores cobraram que todos os fatos sejam esclarecidos pelas autoridades competentes.
Por Demais FM / Informações Riomafra Mix
