A decisão sobre a cota da pesca artesanal de arrasto de praia para a tainha em Santa Catarina provocou forte reação entre pescadores, lideranças e comunidades tradicionais. O tema vai além da questão técnica e abre espaço para discutir se a norma aplicada pelo governo acompanha a realidade do mar e das colônias de pesca.
Debate sobre legitimidade da regra
A discussão ganhou força porque, para muitos pescadores, a medida não considerou as diferenças entre praias, correntes marítimas, ventos e o comportamento dos cardumes. Na prática, o resultado de uma região não reflete necessariamente a realidade de outra.
Esse contraste alimenta críticas ao modelo de cotas, visto por parte do setor como uniforme demais para uma atividade que depende de fatores naturais variáveis e de forte tradição cultural.
Pressão por revisão do modelo
A mobilização das comunidades pesqueiras também levantou questionamentos sobre a condução política do caso. Primeiro, houve a restrição considerada dura demais. Depois, diante da pressão, surgiu a possibilidade de flexibilização, o que aumentou a desconfiança sobre a consistência da decisão.
O episódio reforça um debate mais amplo: até que ponto uma política pública consegue se sustentar quando não dialoga com quem vive a atividade na prática. No caso da pesca da tainha, essa distância entre norma e realidade passou a ser o centro da controvérsia.
Por: Demais FM / Com informações de DMA Notícias
