Política

Professores temporários de SC conquistam direito de levar filhos ao médico sem perder salário ou contrato

Uma conquista aguardada há quase uma década foi garantida aos professores ACTs (Admitidos em Caráter Temporário) da rede estadual de ensino de Santa Catarina. A Assembleia Legislativa (Alesc) aprovou, por unanimidade, o projeto de lei da deputada estadual Luciane Carminatti (PT) que restabelece o direito desses profissionais de acompanhar os filhos menores em consultas e tratamentos médicos sem sofrer desconto salarial ou risco de demissão.

O texto, aprovado nesta quarta-feira (22), representa uma vitória histórica para a categoria, que há anos reivindicava essa garantia básica de dignidade e cuidado familiar.

Um direito perdido em 2015

Em 2015, com a revisão da lei dos temporários, os professores ACTs perderam o direito de faltar para acompanhar os filhos em casos de saúde.
Desde então, qualquer ausência, mesmo justificada por motivos médicos, resultava em desconto de salário e até na rescisão do contrato.

A penalidade era ainda mais dura: o profissional podia ter o CPF bloqueado por até três anos, impedindo-o de assumir novas vagas na rede estadual.

“Uma injustiça com quem educa nossos filhos”, diz deputada

Para a deputada Luciane Carminatti, autora do PL 267/2022, a aprovação corrige uma falha grave do sistema educacional catarinense:

“Isso é uma injustiça com os professores temporários, que não têm garantia nenhuma para a realização do seu trabalho. Convivem com contratos provisórios, trabalham em mais de uma escola, não entram no plano de carreira e, até agora, não podiam ao menos levar o filho ao médico. Precisamos lembrar que mais de 70% dos educadores catarinenses estão nessa condição — e a maioria são mulheres, muitas delas mães solo”, destacou Carminatti, que também preside a Comissão de Educação e Cultura da Alesc.

Caminho até a aprovação

O projeto de lei, protocolado em 2022, começou a avançar apenas neste ano. Na terça-feira (21), foi aprovado em três comissões: Constituição e Justiça, Educação e Cultura, e Finanças e Tributação.
Agora, após a aprovação em Plenário, o texto segue para sanção do Governo do Estado.

Os efeitos da nova lei começam a valer a partir de janeiro de 2026, garantindo que os educadores possam cuidar dos filhos sem medo de represálias ou perdas financeiras.

Um avanço que reconhece o valor da educação

A aprovação do projeto é vista como um ato de respeito e reconhecimento aos educadores, que sustentam a base do ensino público mesmo em condições temporárias.
Além de assegurar um direito humano e familiar, a medida também reforça a importância da valorização do trabalho docente em Santa Catarina.Professores temporários de SC ganham direito de levar filhos ao médico sem perder salário

Por Demais FM.

 

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