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Universidade Gratuita: Indícios de fraude, alunos com renda alta podem ter burlado regras.

Vereadores de Três Barras aprovaram documento cobrando mais bolsas para alunos do Planalto Norte

 

Uma mudança recente nas regras do Programa Universidade Gratuita, que ajuda estudantes de baixa renda a fazer faculdade sem pagar, acabou abrindo espaço para possíveis fraudes. Segundo apuração divulgada nesta segunda-feira (2), milhares de bolsas estão sob suspeita em Santa Catarina.

O Tribunal de Contas do Estado (TCE) encontrou casos de estudantes que possuem carros de luxo, como esportivos importados, ou são filhos de empresários e servidores públicos. Mesmo assim, eles estariam recebendo o benefício, que deveria ser voltado para quem realmente precisa. Também foram identificados moradores de outros estados que falsificaram documentos para parecer que vivem em Santa Catarina e, assim, conseguir o auxílio.

Os programas Universidade Gratuita e FUMDESC oferecem bolsas parciais e integrais, principalmente para quem entra em faculdades pela ACAFE ou por instituições privadas. O problema é que, com essa quantidade de bolsas suspeitas, menos estudantes carentes estão sendo beneficiados, e isso está gerando revolta — especialmente entre os que sonham com o curso de Medicina, conhecido pelos altos custos.

A situação gerou protestos e repercutiu até na Câmara de Vereadores de Três Barras, onde os parlamentares aprovaram um requerimento cobrando soluções do governador Jorginho Mello (PL) e da secretária estadual de Educação, Luciane Ceretta.

No documento, os vereadores destacam que:

  • Muitos jovens abandonam os estudos por falta de apoio financeiro;
  • O curso de Medicina exige dedicação exclusiva e apoio público;
  • A política de ensino superior gratuito está passando por um retrocesso;
  • Isso fere o direito à igualdade e prejudica a formação de profissionais essenciais, como médicos no interior do estado.

Eles pedem três coisas principais:

  1. Que o governo revise as regras para conceder as bolsas, priorizando quem realmente precisa;
  2. Que aumente o número de vagas e o valor disponível para as bolsas;
  3. Que se comprometa de forma pública com o acesso gratuito ao ensino superior, principalmente em áreas importantes como a saúde.

Mudança nas regras pode ter provocado distorções

Antes, até o fim de 2023, a regra era baseada no quanto da renda da família era comprometido com a mensalidade do curso. Mas no final do ano, a Assembleia Legislativa (Alesc) mudou isso: agora, o critério é o índice de carência, que também leva em conta os bens da família. A intenção era melhorar, mas pode ter causado distorções — segundo a ACAFE, essa nova forma de análise aumentou a desigualdade entre ricos e pobres.

Governo reconhece indícios e promete investigação

A Secretaria de Estado da Educação reconheceu que os dados apontam indícios de irregularidades, mas que ainda não são provas definitivas. O órgão pediu ao TCE que envie os dados detalhados, para que cada caso possa ser analisado com as universidades. Se for comprovada alguma fraude, os responsáveis poderão ter que devolver o dinheiro recebido e perderão a bolsa.

Tema gera debate na Alesc e deve virar audiência pública

O assunto também foi debatido na Assembleia Legislativa de Santa Catarina. Na terça-feira (3), o deputado Carlos Humberto (PL) entrou com um pedido formal para que a Secretaria de Educação esclareça quais critérios estão sendo usados para dar as bolsas. Outros deputados também se manifestaram e defenderam mais transparência no processo. Uma audiência pública já foi aprovada e deve acontecer nos próximos dias.

Alerta já havia sido feito no ano passado

Vale lembrar que em outubro de 2023, o ex-secretário de Educação, Aristides Cimadon, já havia alertado sobre pessoas tentando burlar o sistema. Em uma postagem que viralizou nas redes, ele disse: “Tem gente que acha que está acima das regras e tenta conseguir o benefício de forma errada”. Cimadon ainda reforçou: “O Universidade Gratuita tem regras. Não é presente para quem é amigo de político”.

Informações Jmais/Demais FM.

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