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Tarifaço dos EUA atinge exportações do Planalto Norte e provoca cortes no setor moveleiro

Foto Divulgação

Empresas recorrem a férias coletivas, redução de jornada e buscam novos mercados

O tarifaço imposto pelo governo norte-americano, com sobretaxa de 50% sobre móveis e madeira, já causa efeitos diretos no Planalto Norte catarinense e no Sul do Paraná. Municípios como São Bento do Sul, Rio Negrinho e Campo Alegre, tradicionalmente dependentes do setor moveleiro, enfrentam cortes de produção, férias coletivas e até demissões.


Dependência das exportações para os EUA

A microrregião de São Bento do Sul, Campo Alegre e Rio Negrinho lidera o ranking nacional de exportação de móveis. Segundo a Associação Empresarial de São Bento do Sul (Acisbs), 60% da produção local segue para os Estados Unidos.

Em 2024, o polo moveleiro da cidade exportou US$ 123,4 milhões, sendo que 62% tiveram como destino o mercado americano. Só em São Bento, mais de 7 mil trabalhadores estão empregados diretamente no setor.


Exportações do Planalto Norte em junho/2025

📊 Comparativo por cidade – valores em R$ milhões

Cidade Valor Exportado Principais Produtos Exportados
São Bento do Sul 4,20 milhões Móveis, cerâmica, confecção, couro, calçados
Rio Negrinho 4,35 milhões Móveis, madeira em forma, madeira serrada
Três Barras 2,81 milhões Madeira compensada
Santa Cecília 1,35 milhões Compensados e móveis
Timbó Grande 0,91 mil Madeira compensada
Itaiópolis 0,85 mil Motores elétricos, refrigeradores, produtos de ferro
Mafra 0,76 mil Compensados, móveis, carpintaria
Canoinhas 0,74 mil Madeira serrada
Papanduva 0,44 mil Madeira em forma e serrada
Porto União 0,33 mil Compensados e carpintaria

Voz das entidades empresariais

O presidente da Acisbs, Gabriel Weihermann, alerta para o risco de demissões em massa caso não haja negociação com os EUA. Empresas já tentam redirecionar a produção para mercados alternativos, como Europa e Mercosul, mas o processo exige adaptação e tempo.

O Sindicato da Indústria, Construção e Mobiliário (Sindusmobil), presidido por Luiz Carlos Pimentel, também demonstra preocupação. Para ele, os financiamentos anunciados por governos estadual e federal não resolvem o problema, já que muitas indústrias estão com fluxo de caixa comprometido e não conseguem assumir novas dívidas.


Paraná também sofre os reflexos

Em Bituruna, no Sul do Paraná, a fábrica Randa – maior empresa do município – reduziu a produção pela metade. Os 800 funcionários foram colocados em férias coletivas, em sistema de rodízio. A indústria exporta 55% de seus produtos para os Estados Unidos e responde por 80% da economia local.


Governo e setor buscam alternativas

Enquanto o Governo Federal anunciou medidas para apoiar outros setores, como o de castanhas e pescados, o madeireiro segue de fora dos pacotes emergenciais. A expectativa agora é pelo Destarifaço, programa que será lançado pela Fiesc nesta quinta-feira (28) para tentar apoiar empresas e trabalhadores afetados.


O que está em jogo

O impacto do tarifaço ultrapassa as fábricas. Em cidades como São Bento do Sul, Rio Negrinho e Três Barras, o setor moveleiro e madeireiro sustenta a economia local, movimentando comércio, serviços e milhares de famílias. A incerteza sobre a continuidade das exportações preocupa empresários, sindicatos e trabalhadores, que aguardam avanços nas negociações diplomáticas.

Por Demais FM.

 

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