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Tarifaço de Trump pode afetar R$ 414 milhões em exportações do Oeste de SC

Foto: Sascha Hormel/Pexels/Divulgação/ND

|O chamado tarifaço do presidente Donald Trump pode começar a valer nesta sexta-feira (1º) e deve afetar diretamente setores estratégicos da economia catarinense, especialmente na região Oeste, apontam dados da Facisc (Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina).

Líder estadual em exportações, o Oeste catarinense reúne 186 empresas exportadoras que somam cerca de R$ 13,1 bilhões em vendas internacionais. Só para os Estados Unidos, foram cerca de R$ 414 milhões exportados, representando 4% de todo o volume embarcado por Santa Catarina.

Os setores mais expostos ao impacto da nova tarifa de 50% são os da madeira e seus derivados, com destaque para o segmento de madeira em forma, que depende em 97% das exportações para o mercado norte-americano.

Já os produtos de madeira respondem por cerca de 80% das exportações destinadas aos EUA. Juntos, esses segmentos podem ser duramente atingidos pelas novas regras comerciais.

Eliminação de empregos e queda no faturamento
Uma simulação feita pela Facisc com base em dados históricos estima que, caso o tarifaço provoque um impacto semelhante ao dobro da queda causada pela retração da construção civil nos Estados Unidos em 2023, a produção de madeira na regional Oeste poderá sofrer perdas de pelo menos R$ 200 milhões, além da eliminação de 500 empregos com carteira assinada.

Outros setores também estão na mira, como o de máquinas e equipamentos para trabalhar plástico e borracha, e o de turbinas hidráulicas, que têm mais de 70% da produção voltada ao mercado norte-americano. Nesse caso, a baixa dependência dos EUA em relação ao fornecimento brasileiro pode facilitar a substituição por outros países.

Gelatina
Já o setor de gelatina, apesar de exportar cerca de 30% para os EUA, apresenta menor risco imediato. O produto tem ganhado espaço em mercados da Europa e América Latina, e o Brasil ainda é responsável por 25% da gelatina importada pelos norte-americanos — o que reduz a chance de substituição rápida.

Cobrança de medidas
Ainda assim, a Facisc reforça a preocupação com os possíveis efeitos em cadeia na economia da região e cobra atenção do governo federal e estadual para políticas que possam amparar os setores mais expostos.

A federação também defende a ampliação dos acordos comerciais com outros países como forma de garantir mais segurança e competitividade às exportações catarinenses.

 

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