Aplicativo da Meta é visto como ameaça à soberania digital do país; governo aposta em plataforma própria
A Rússia está ampliando seus esforços para restringir o uso do WhatsApp no país, alegando motivos de segurança nacional e controle digital. A partir de 1º de setembro de 2025, o aplicativo de mensagens da Meta poderá ser incluído em uma lista oficial de softwares proibidos, segundo anúncio feito por parlamentares russos como Anton Gorelkin e Anton Nemkin.
A medida faz parte de uma política mais ampla do governo de Vladimir Putin para fortalecer o que chama de “soberania digital”, promovendo o uso de aplicativos desenvolvidos dentro do país, como o MAX, uma plataforma criada pelo Kremlin e já integrada a diversos serviços estatais.
WhatsApp pode ser bloqueado como parte do controle da internet
Com o bloqueio de outras plataformas da Meta – como o Facebook e o Instagram – desde 2022, após a invasão da Ucrânia, a nova ofensiva sobre o WhatsApp representa mais um passo no endurecimento do controle estatal sobre a internet russa.
Cerca de 68% dos russos utilizam o WhatsApp diariamente, o que torna qualquer restrição ao aplicativo altamente impactante para a população. A justificativa do governo é que plataformas de empresas sediadas em países considerados “hostis” poderiam comprometer a segurança do espaço digital da Rússia.
App estatal pode ser usado para vigilância, alertam críticos
Ao mesmo tempo em que defende o MAX como alternativa nacional segura, o governo enfrenta críticas internas e externas. Especialistas em direitos digitais alertam que o uso do aplicativo estatal pode facilitar a vigilância em massa, permitindo ao Kremlin monitorar conversas, localização e comportamentos dos usuários com mais facilidade.
Há também especulações de que o governo pode adotar estratégias técnicas para dificultar o uso do WhatsApp, como a redução intencional da velocidade de conexão, uma tática que já teria sido aplicada contra o YouTube em ocasiões anteriores.
Meta permanece em silêncio sobre possível proibição
Até o momento, a Meta Platforms, proprietária do WhatsApp, não se pronunciou oficialmente sobre a ameaça de banimento. A ausência de uma resposta pública aumenta a incerteza quanto à continuidade do serviço no território russo e levanta questionamentos sobre liberdade digital em contextos autoritários.
O cerco ao WhatsApp marca mais um capítulo na disputa entre governos e big techs por soberania digital, privacidade e controle da informação.
Por Demais FM
Informações Terra
