A Câmara de Vereadores de Ibirama deu um passo importante para reconhecer o uso de sinos de igrejas como patrimônio cultural do município. A proposta, apresentada pelo vereador Gilson Ferreira da Silva, foi aprovada em primeira votação durante sessão que contou com a participação da comunidade.
O debate no plenário abordou temas como a preservação da história local, a liberdade religiosa e o respeito ao princípio constitucional do Estado laico. O projeto de lei agora segue para uma nova discussão e votação final na próxima semana.
A importância histórica dos sinos
Para contextualizar o tema, o pároco da Igreja Santo Huberto, padre Rafael Rodrigo Scolaro, usou a tribuna e explicou que a tradição dos sinos ultrapassa a função de avisar os horários das missas. Segundo ele, os sinos marcam momentos cruciais na vida da comunidade, como celebrações, luto e outros eventos importantes.
O padre lembrou que o primeiro sino católico foi instalado em Ibirama no ano de 1909, fazendo parte da memória afetiva da população desde então. Ele também destacou que a prática não se limita a uma única religião, sendo um elemento cultural presente em diversas tradições cristãs.
Argumentos e divergências no plenário
Os vereadores favoráveis ao projeto defenderam que a medida apenas oficializa uma tradição já existente e consolidada em Ibirama. Para eles, o som dos sinos faz parte da identidade cultural da cidade e, no passado, funcionava como um importante meio de comunicação coletiva.
Por outro lado, o debate também levantou questionamentos sobre a laicidade do Estado. O vereador Saulo Fonseca, que votou contra, expressou preocupação sobre a possibilidade de o poder público privilegiar uma manifestação religiosa específica em detrimento de outras.
Próximos passos do projeto
O autor da proposta, Gilson Ferreira da Silva, esclareceu que o objetivo é proteger um conjunto amplo de manifestações culturais e religiosas do município, não apenas os sinos. Segundo ele, o texto foi elaborado para permitir que outras tradições também possam ser contempladas no futuro.
Após a aprovação em primeira análise, o projeto de lei será votado novamente em plenário. Se aprovado, seguirá para a sanção do prefeito, podendo se tornar uma ferramenta para a proteção e valorização das tradições locais.
