Cantora compartilhou tratamento com o público e ajudou na conscientização
A cantora, apresentadora e empresária Preta Gil faleceu neste domingo, dia 20 de julho, aos 50 anos, vítima de complicações causadas por um câncer colorretal. A artista estava em Nova York (EUA), onde realizava um tratamento experimental na fase mais recente da doença.
Diagnosticada com adenocarcinoma em janeiro de 2023, Preta Gil tornou pública sua batalha contra o câncer, relatando cada etapa com sinceridade e coragem. Ela passou por sessões de quimioterapia, radioterapia e cirurgias, incluindo um procedimento de mais de 18 horas em dezembro de 2024, para a remoção de tumores.
Em 2025, ela optou por buscar novas abordagens terapêuticas fora do país, reforçando o desejo de lutar pela vida com todas as possibilidades disponíveis. Durante todo o tratamento, Preta manteve sua característica autenticidade e compartilhou sua jornada com o público:
“Sei que fiz a escolha certa em dividir com as pessoas as minhas vulnerabilidades e meus sofrimentos. Mas com a cabeça erguida, como sempre foi, desde o começo”, declarou em 2024.
Um legado de coragem, arte e consciência
Filha do cantor Gilberto Gil, Preta construiu sua carreira com identidade própria. Com voz potente, carisma e atitude, conquistou diferentes gerações como cantora e comunicadora, tornando-se uma figura querida dentro e fora do palco.
Sua decisão de expor publicamente o processo de tratamento teve impactos que vão além da sua vida pessoal. Preta Gil ajudou a dar visibilidade a uma das doenças mais incidentes no Brasil, especialmente entre adultos acima dos 50 anos, mas que vem crescendo também entre os mais jovens.
Entenda o câncer colorretal
O câncer colorretal atinge o intestino grosso (cólon) e o reto. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), são estimados mais de 45 mil casos por ano entre homens e mulheres no Brasil entre 2023 e 2025.
O adenocarcinoma, tipo enfrentado por Preta Gil, corresponde a cerca de 90% dos diagnósticos. Ele se desenvolve a partir de pólipos — pequenas lesões na parede do intestino — que podem se transformar em tumores ao longo do tempo, caso não sejam removidos.
Sintomas que merecem atenção
Muitas vezes silencioso, o câncer colorretal pode apresentar sinais que devem ser investigados, como:
- Mudança nos hábitos intestinais (diarreia ou constipação);
- Sangue nas fezes;
- Sensação de evacuação incompleta;
- Perda de peso sem explicação;
- Fraqueza e fadiga constantes;
- Dores abdominais;
- Presença de massas no abdômen.
Fatores de risco e prevenção
Entre os principais fatores de risco estão:
- Dieta rica em alimentos ultraprocessados e pobre em fibras;
- Consumo excessivo de carnes vermelhas;
- Sobrepeso, obesidade e sedentarismo;
- Tabagismo;
- Doenças inflamatórias intestinais (como retocolite ulcerativa);
- Fatores genéticos (menos comuns, mas relevantes).
Segundo especialistas, o estilo de vida influencia mais no surgimento da doença do que fatores hereditários.
Diagnóstico precoce salva vidas
A boa notícia é que, quando detectado precocemente, o câncer colorretal é altamente curável. O exame de colonoscopia permite a identificação de pólipos antes que se tornem malignos, sendo um dos meios mais eficazes de rastreamento.
Diferente de outros tipos de câncer que só são detectados já em estágios iniciais da doença, o colorretal pode ser diagnosticado ainda na fase pré-cancerosa, o que amplia as chances de sucesso no tratamento.
“Cada caso é avaliado por uma equipe multidisciplinar para definir a melhor estratégia terapêutica”, destaca oncologistas.
Um alerta para todos nós
A história de Preta Gil emociona, mas também alerta. Sua luta deixou um legado não apenas artístico, mas de consciência coletiva sobre uma doença que pode ser prevenida e tratada com diagnóstico precoce.
A artista se foi, mas sua voz continua ecoando — agora também na saúde pública.
Por Demais FM.
