Hospital Santa Cruz prorroga sindicância e Ministério Público investiga o caso
O Hospital Santa Cruz, em Canoinhas, decidiu prorrogar a sindicância interna que apura um erro de grande gravidade cometido na maternidade da unidade. Onze bebês recém-nascidos receberam, por engano, soro contra veneno de jararaca no lugar da vacina contra a hepatite B. A situação causou forte comoção na cidade e está sendo acompanhada por órgãos municipais e estaduais.
LEIA TAMBÉM: Planalto Norte: bebês recebem antídoto contra veneno no lugar da vacina de Hepatite B
A gestora do hospital, Karin Adur, afirmou que novas linhas de investigação surgiram, o que justifica a ampliação do prazo da apuração interna. Segundo ela, a instituição busca entender, com profundidade, os processos que levaram à administração do soro antiofídico nos recém-nascidos.
“Acreditamos que em breve teremos um posicionamento mais claro, tanto para os envolvidos diretamente quanto para toda a comunidade”, destacou Karin.
Vigilância epidemiológica monitora bebês; pais evitam falar com a imprensa
Pais das crianças afetadas preferiram não gravar entrevistas ao Portal Jmais, mas relataram que, segundo orientação da vigilância epidemiológica, o dia anterior à entrevista marcava o prazo em que eventuais reações adversas ao soro poderiam surgir. Técnicos visitaram as residências das famílias e, felizmente, nenhum sintoma anormal foi identificado até agora.
Apesar disso, o episódio acendeu um alerta, especialmente por se tratar de uma faixa etária para a qual não existem estudos sobre os efeitos do soro antiofídico. A informação foi confirmada por Ariane da Silva, técnica em enfermagem da Vigilância Sanitária de Canoinhas.
“Não há qualquer protocolo que autorize o uso do soro em recém-nascidos. Também não temos registros nem literatura sobre esse tipo de aplicação nessa faixa etária”, explicou Ariane.
Ministério Público acompanha o caso; hospital se antecipou
O Ministério Público de Santa Catarina também abriu uma notícia de fato para apurar o ocorrido. De acordo com Karin Adur, o hospital procurou o promotor da comarca antes mesmo de ser notificado oficialmente, com o objetivo de esclarecer os fatos de forma voluntária.
“Sabemos da responsabilidade do Ministério Público em proteger a comunidade, e entendemos que esse processo pode até auxiliar nossa própria investigação interna”, disse a gestora.
O hospital ressaltou ainda que o promotor designado é novo na comarca e que a instituição tem uma história de 86 anos a zelar. Para a direção, colaborar com o MP é uma forma de manter a transparência e reforçar a confiança da comunidade.
Prefeitura de Canoinhas também investiga
A Prefeitura de Canoinhas acompanha de perto a situação, já que o hospital recebe recursos públicos municipais. A prefeita Juliana Maciel afirmou que as equipes de saúde, especialmente a vigilância epidemiológica, estão prestando acompanhamento contínuo às famílias e aos bebês.
“Nosso papel é garantir segurança e tranquilidade para essas famílias. Estamos fazendo o monitoramento completo”, garantiu a prefeita.
Caso é inédito no Estado, diz Ciatox
O Ciatox, centro de referência em intoxicações de Santa Catarina, emitiu nota afirmando que não há registros semelhantes no Estado envolvendo a aplicação de soro contra veneno de jararaca em recém-nascidos. O órgão reforça que não há base científica nem protocolo clínico que preveja esse tipo de conduta em bebês.
O que se sabe até agora
- 11 recém-nascidos receberam soro antiofídico por engano
- Erro ocorreu durante aplicação da vacina contra hepatite B
- Nenhum sintoma foi identificado até o momento
- Hospital Santa Cruz prorroga sindicância interna
- Ministério Público e Prefeitura investigam o caso
- Ciatox confirma ausência de registros semelhantes no Estado
Por Demais FM
Informações Portal Jmais
