Segurança

Mulher que se passou por criança pode ter feito vítimas no PR

Foto: Reprodução/Folha de São Paulo

A prisão de Amanda Maria Souza de Oliveira, feita no último dia 2 em Joinville, em Santa Catarina, reacendeu apurações sobre possíveis vítimas no Paraná. A mulher é suspeita de se passar por uma adolescente de 12 anos e teria usado histórias de abusos, doença grave e abandono para ganhar a confiança de pessoas e instituições.

Investigação foi retomada no Paraná

Segundo informações divulgadas pela Folha de São Paulo, a Polícia Civil do Paraná voltou a analisar um caso registrado em Colombo, na região metropolitana de Curitiba. Com os novos relatos surgidos após a prisão em Santa Catarina, a investigação sobre estelionato, que estava parada, deve avançar com a oitiva de supostas vítimas.

Em Campina Grande do Sul, também na Região Metropolitana de Curitiba, a rede de proteção do município diz ter reconhecido Amanda por fotos que circularam na imprensa. No entanto, não houve boletim de ocorrência no local na época dos fatos.

As acusações apontam um padrão semelhante em diferentes cidades. Em vez de usar a própria identidade, ela teria criado histórias com forte apelo emocional, sempre dizendo ter 12 anos e vivendo situações extremas para sensibilizar quem a acolhia.

Relatos incluem doenças e abusos

Em Campina Grande do Sul, a mulher teria afirmado que fugiu de Fortaleza para escapar do pai, descrito por ela como dono de um bordel onde sofria exploração junto da mãe. Ela também teria relatado agressões, marcas de queimaduras e até uso de hormônios na infância, justificativa que repetiu em Joinville.

Depois de ser acolhida por uma casa de apoio, permaneceu alguns dias na instituição e chegou a ser levada para atendimento médico. Segundo os relatos das autoridades locais, a falsa idade só teria sido descoberta já no hospital, antes de ela fugir.

Em Colombo, a história teria vindo de forma virtual, durante a pandemia. Um grupo de orações relatou que a suposta adolescente dizia ter leucemia em fase terminal, pediu ajuda emocional e passou a integrar a rotina de uma professora, que afirma ter acreditado na farsa por estar fragilizada naquele período.

A professora Tatiane Silva contou que a mulher se apresentava como “Emily”, usava filtros, máscara e touca, além de voz infantilizada e relatos de sofrimento intenso. A fraude teria começado a ruir quando a suposta menina mentiu sobre uma amputação e, depois, pediu Pix.

Defesa fala em exame de sanidade mental

O advogado de Amanda, Rafael Siewert, afirmou que a defesa identificou elementos para pedir um exame de sanidade mental, com o objetivo de avaliar a condição psíquica da cliente. Ela está presa preventivamente e deve passar por perícia até o fim de junho.

A denúncia apresentada pelo Ministério Público de Santa Catarina aponta que a estratégia teria permitido que ela fosse acolhida por vítimas, que passaram a custear moradia, alimentação, transporte, aniversários e até medicamentos. Segundo a acusação, o método também pode ter sido repetido em outros estados.

A Polícia Civil do Paraná informou que vai intimar as vítimas de Colombo para reconhecimento formal da suspeita. A apuração segue em andamento.

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