Política

Lula libera JBS fazer importação de tilápia do Vietnã dias após classificar espécie como invasora no Brasil

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva | Foto: Ricardo Stuckert/PR

A decisão do governo federal de incluir a tilápia na Lista Nacional de Espécies Exóticas Invasoras coincidiu, na mesma semana, com a autorização para entrada de 700 toneladas do peixe importado do Vietnã. A sobreposição dos dois anúncios provocou forte repercussão no setor aquícola e abriu um novo capítulo no debate sobre produção, competitividade e segurança sanitária.

O primeiro contêiner, parte de um lote total de 32 cargas, deixou o Vietnã em 6 de novembro e deve desembarcar no Porto de Santos em 17 de dezembro. A operação, conduzida pela JBS, integra o acordo firmado durante a Cúpula Ampliada do Brics, que abriu o mercado brasileiro para tilápia, peixe-galo, tra e basa vietnamitas. Em contrapartida, o Vietnã ampliará a importação de carne bovina brasileira.

O embaixador vietnamita no Brasil, Bui Van Nghi, classificou o envio da carga como um avanço nas relações econômicas entre os dois países, agora considerados parceiros estratégicos. Ele afirmou que a operação demonstra a capacidade do Vietnã de expandir mercados e validar a qualidade de seus produtos agrícolas e aquícolas na América Latina.

Classificação como espécie invasora gera apreensão no setor

A inclusão da tilápia como espécie exótica invasora acendeu o alerta entre piscicultores de várias regiões do país. Representantes do setor afirmam que o rótulo pode criar entraves de licenciamento e ampliar a insegurança jurídica, afetando diretamente a expansão da atividade aquícola nacional.

O Ministério do Meio Ambiente explica que a classificação é exclusivamente técnica e não impede a criação comercial da espécie em território brasileiro.

Como ocorreu a liberação da importação

Após mais de um ano de suspensão, o Ministério da Agricultura (Mapa) retomou, no início de 2025, a autorização para importar filés de tilápia do Vietnã. A medida está formalizada no Despacho Decisório nº 379, de 23 de abril, que revogou uma cautelar emitida no ano anterior.

A chegada dos novos carregamentos cumpre o compromisso firmado entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o primeiro-ministro Pham Minh Chinh, durante o Brics. A embaixada vietnamita informou que seguirá apoiando empresas brasileiras e vietnamitas para ampliar o fluxo comercial e facilitar a entrada de novos produtos sul-americanos no mercado asiático.

Por outro lado, a importação aumentou a tensão entre produtores brasileiros. Segundo entidades do setor, o custo de produção no Vietnã — favorecido por subsídios e normas ambientais mais flexíveis — cria vantagem competitiva sobre o peixe nacional, produzido em um ambiente regulatório mais rígido e com custos elevados.

A Associação Brasileira da Piscicultura (PeixeBR) reforça preocupações sobre risco sanitário, mencionando diferenças no sistema de cultivo que podem introduzir enfermidades inexistentes no Brasil. A entidade defende fiscalização intensificada.
O Ministério da Pesca afirma monitorar os impactos, mas ressalta que a autorização de importação é responsabilidade direta do Mapa.

Produção nacional e peso econômico da tilápia

O Brasil ocupa hoje a quarta posição entre os maiores produtores de tilápia do mundo. Em 2024, o país registrou 662,2 mil toneladas — crescimento de 14,3% em relação ao ano anterior — representando 68% de toda a piscicultura nacional, conforme o Anuário PeixeBR 2025.

A cadeia produtiva movimenta cerca de 3 milhões de empregos diretos e indiretos, além de gerar US$ 59 milhões em exportações no último ano. O consumo segue em alta, com crescimento anual de 10,3%, impulsionado pelo preço acessível, oferta constante e valor nutricional do peixe.

Por Demais FM
Informações Folha Destra

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