Mais de R$ 20 milhões em ativos vão a leilão com prioridade para pagamento de ex-funcionários da antiga madeireira Rauen
Um leilão judicial marcado para o próximo dia 8 de agosto deve encerrar um dos processos de falência mais longos e complexos da história do setor madeireiro catarinense. Avaliados em mais de R$ 20 milhões, imóveis rurais e urbanos pertencentes à antiga Rauen Industrial Madeireira serão leiloados de forma totalmente online, por meio da plataforma Positivo Leilões.
A falência da Rauen, decretada em 2005 após anos de disputas judiciais iniciadas ainda em 1995, marcou o fim de uma das maiores empresas do Norte Catarinense nas décadas de 1970 e 1980. O valor arrecadado com a venda dos bens será destinado à quitação de um passivo que ultrapassa R$ 37 milhões — com prioridade para o pagamento de direitos trabalhistas de ex-funcionários que aguardam há quase três décadas.
Quatro imóveis com grande potencial
O leilão engloba quatro lotes: dois imóveis urbanos e dois rurais, localizados em áreas estratégicas de Mafra, no Planalto Norte. Entre os bens mais valiosos, destaca-se uma área de mais de 207 mil m², com lance inicial de R$ 15,6 milhões, e um terreno urbano de 10 mil m², avaliado em R$ 1,5 milhão — ambos situados no bairro Jardim América, próximo à Rodovia Régis Bittencourt, com alto potencial para incorporação imobiliária.
No segmento rural, uma propriedade de quase 25 hectares voltada à produção agrícola será leiloada com lance mínimo de R$ 2 milhões. Outro destaque é uma área de 31 hectares, destinada à preservação ambiental, avaliada em R$ 972 mil — ideal para regularização ambiental de empreendimentos.
Justiça e mercado unidos pela reparação histórica
De acordo com o leiloeiro público Erick Soares Teles, que conduz o certame, o interesse pelo leilão é expressivo: 21 participantes já estão habilitados. “São ativos raros, com localização privilegiada e múltiplas possibilidades de uso. O interesse é reflexo direto do potencial dessas áreas”, explica.
A administradora judicial Giovanna Vieira Portugal Macedo destaca que a venda dos imóveis representa mais do que a conclusão de uma falência: é uma reparação histórica. “Estamos trabalhando intensamente para que o leilão seja bem-sucedido e os credores — especialmente os trabalhadores — recebam o que lhes é devido”, afirma.
Uma nova era para a Justiça especializada
A juíza Aline Mendes de Godoy, da Vara de Falências e Recuperações Judiciais e Extrajudiciais de Concórdia (SC), ressalta o papel decisivo das varas especializadas no avanço do processo. “A conclusão desse leilão representa o compromisso da Justiça com resultados concretos. É uma resposta à altura da espera de credores e da sociedade após décadas de tramitação”, pontua.
Do auge à falência: a história da Rauen
Fundada por José Alfredo Rauen, a madeireira foi um dos principais pilares da economia de Mafra nas décadas de 70 e 80. Atuava em diversos segmentos, como serraria, beneficiamento de madeira, móveis, laminados, compensados, e até produção de bobinas para o setor elétrico e telefônico. A empresa chegou a empregar cerca de 600 pessoas, colaborando com a urbanização do entorno e o desenvolvimento econômico da região.
Em 1995, a Rauen entrou com pedido de concordata preventiva, o equivalente à atual recuperação judicial. Anos depois, em 2005, foi decretada sua falência, abrindo um processo que atravessou mudanças legais, econômicas e sociais, tornando-se um dos mais emblemáticos do judiciário catarinense.
Agora, o leilão desses bens marca um passo decisivo para encerrar essa longa história — com justiça, dignidade e reparação.
Por Demais FM
Informações: Jmais
