Exportações para os EUA sofrem queda e afetam empresas no Planalto Norte
O tarifaço de 50% imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros começou a valer na semana passada e já pressiona a economia do Planalto Norte. Em Itaiópolis, as exportações para o mercado americano somaram R$ 854,74 mil em junho, com destaque para equipamentos elétricos, motores, produtos de ferro e aparelhos de controle. Empresa de expostação de motores trabalha com precaução, fazendo remanejamento de colaboradores e com possibilidades de fechamento de uma linha de produção.
Embora o município não tenha na madeira seu principal item exportado, a dependência dos Estados Unidos como destino comercial preocupa. Em 2024, 42% de tudo que a região exportou teve como destino o mercado americano, segundo dados da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc).
Estoques parados e pedidos suspensos
Empresas de diferentes cidades do Planalto Norte, incluindo Canoinhas, Três Barras, Rio Negrinho e São Bento do Sul, já registram estoques parados. O motivo é a suspensão de pedidos por importadores americanos para entregas previstas a partir de 1º de agosto.
Segundo empresários, não há mercado capaz de substituir o volume de compras dos Estados Unidos no curto prazo. A recomendação é de cautela enquanto não há avanço nas negociações entre os dois governos.
São Bento do Sul em férias coletivas
Em São Bento do Sul, o cenário é ainda mais crítico. O setor moveleiro, que emprega 7 mil pessoas, colocou cerca de 3 mil funcionários em férias coletivas. Em 2024, as exportações da cidade somaram US$ 123,4 milhões, sendo que 62% desse total teve como destino os Estados Unidos.
Luiz Carlos Pimentel, presidente do Sindicato das Indústrias da Construção e do Mobiliário (Sindusmobil), que reúne 398 fabricantes de móveis em São Bento do Sul, Rio Negrinho e Campo Alegre, afirmou que a ordem para segurar embarques foi dada pelos importadores ainda em julho, quando o tarifaço foi anunciado.
Efeitos chegam ao Paraná
O impacto também cruza a divisa. Em Bituruna (PR), a fábrica de portas, molduras e compensados Randa, que destina 55% da produção aos Estados Unidos, colocou os 800 funcionários em férias coletivas em rodízio, paralisando metade da produção.
Enquanto isso, a Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente (Abimci) mantém esforços para reverter a medida, mas as respostas vindas de Washington indicam que só uma negociação direta entre os governos pode alterar o cenário.
Por Demais FM.
