O conflito no Oriente Médio reacendeu o alerta no setor agrícola mundial, especialmente no Brasil, que importa entre 85% e 90% dos fertilizantes utilizados nas lavouras. A região em guerra responde por cerca de 20% do fornecimento global desses insumos, fundamentais para a produção de culturas como soja, milho e arroz.
Com a proximidade do plantio da safra do segundo semestre, produtores brasileiros já enfrentam aumento nos custos. A dificuldade de substituição rápida de fornecedores e a dependência de uma logística internacional complexa tornam o cenário ainda mais desafiador.
Alta nos custos pode chegar ao consumidor
A elevação no preço dos fertilizantes tende a impactar diretamente o custo de produção agrícola. Mesmo com a valorização de commodities, especialistas apontam que o aumento dos insumos ocorre em ritmo mais acelerado, reduzindo a margem de lucro dos produtores.
Além disso, o encarecimento da produção pode refletir na inflação dos alimentos nos próximos meses. Produtos básicos devem sofrer reajustes, afetando tanto o mercado interno quanto o bolso do consumidor.
Gargalos logísticos e risco de escassez
O bloqueio de rotas estratégicas, como o Estreito de Ormuz, compromete o transporte de fertilizantes e pode gerar atrasos na entrega. Mesmo com eventual reabertura, o setor enfrenta desafios logísticos que podem levar meses para normalização.
Outro fator que agrava a situação é o movimento de países produtores, como a China, que têm restringido exportações para garantir o abastecimento interno. Isso reduz ainda mais as opções disponíveis no mercado internacional.
Impactos devem durar meses
Mesmo que o conflito seja encerrado rapidamente, especialistas indicam que os efeitos econômicos devem persistir. Danos estruturais em áreas de produção e distribuição de gás natural — matéria-prima essencial para fertilizantes — podem levar anos para serem recuperados.
Com isso, o agronegócio brasileiro deve enfrentar um período prolongado de custos elevados, exigindo planejamento e adaptação dos produtores.
