Os golpes digitais envolvendo o Pix continuam crescendo no país e já causam um rombo bilionário nas finanças dos brasileiros.
De acordo com a 3ª edição da pesquisa Golpes com Pix, da empresa Silverguard, o prejuízo médio por vítima subiu 21% em 2025, chegando a R$ 2.540.
O levantamento utilizou dados do Banco Central, obtidos via Lei de Acesso à Informação, e analisou 12.197 denúncias registradas na Central SOS Golpe.
Crime digital mais estruturado e profissional
O estudo aponta uma mudança preocupante na forma de atuação dos golpistas.
Antes, o dinheiro das fraudes era transferido principalmente para contas de pessoas físicas, mas agora 65% dos golpes têm como destino contas jurídicas (PJ) — um sinal da profissionalização das quadrilhas digitais.
Segundo a Silverguard, essa estratégia dificulta o rastreamento e os bloqueios, dando aparência de legitimidade às movimentações.
Nas classes A e B, o prejuízo médio chegou a R$ 10,5 mil, um aumento de 67% em relação a 2024.
Na classe C, a média foi de R$ 4,3 mil, e nas classes D/E, de R$ 1,5 mil.
Empresas também sofrem: pessoas jurídicas perdem, em média, R$ 5,2 mil por golpe, o dobro do valor registrado entre pessoas físicas.
WhatsApp e Instagram lideram origem dos golpes
A pesquisa mostra que dois em cada três golpes têm origem em plataformas da Meta.
O WhatsApp aparece em primeiro lugar, com 29,6% das ocorrências, seguido por Instagram (21,4%) e Facebook (13,1%).
O Telegram também vem crescendo, concentrando 11,8% dos casos, alta de 61% em relação ao ano anterior.
Os golpes em aplicativos de jogos tiveram aumento de 355% em apenas um ano.
Entre os idosos com mais de 60 anos, o WhatsApp é o principal meio de ataque (46%), enquanto o Instagram e o TikTok concentram golpes entre adolescentes e jovens adultos.
Devoluções via Pix caem e o prejuízo cresce
O levantamento também avaliou o Mecanismo Especial de Devolução (MED), criado pelo Banco Central em 2021 para permitir que vítimas de golpes recuperem parte dos valores transferidos.
Apesar da ferramenta, o índice de devolução vem caindo drasticamente: apenas 6,8% dos valores devem ser efetivamente recuperados em 2025, segundo projeção da Silverguard.
Em 2022, 73% dos pedidos de devolução via MED eram aceitos; em 2025, a taxa deve cair para apenas 24%.
O problema, segundo a pesquisa, está na migração dos golpes para contas empresariais e intermediários de pagamento, o que dificulta o rastreamento.
Golpes mais comuns e vítimas mais vulneráveis
O estudo revela que os golpes de compra falsa continuam sendo os mais comuns — 42,9% dos casos.
Eles são seguidos por falsas oportunidades de emprego e promessas de investimento.
Os idosos são os que mais sofrem prejuízos, perdendo até cinco vezes mais que os jovens.
Por faixa etária, os golpes mais recorrentes são:
- Menores de 18 anos: compras falsas e sorteios inexistentes;
- De 18 a 29 anos: promessas de investimento e renda extra;
- Mais de 60 anos: falsos pedidos de ajuda ou empréstimos.
Ranking: onde há mais vítimas e maiores prejuízos
O Estado de Alagoas lidera o ranking nacional, com o maior prejuízo médio por golpe (R$ 3.370).
Em seguida aparecem Espírito Santo (R$ 2.890) e Roraima (R$ 1.880).
Em São Paulo, o valor médio foi de R$ 1.600, e o Rio Grande do Norte apresentou o menor índice (R$ 650).
De 2018 a 2025, o número de estelionatos eletrônicos cresceu 408%, enquanto os roubos físicos caíram 51% — mostrando o avanço do crime digital no país.
O desafio da devolução e o futuro da segurança digital
A CEO da Silverguard, Marcia Netto, destaca que os golpes deixaram de ser amadores.
“Hoje lidamos com organizações criminosas digitais que funcionam como verdadeiras empresas. Elas alugam contas PJ, compram anúncios em redes sociais e movimentam bilhões todos os anos”, explicou.
Segundo a executiva, o fortalecimento do MED e a cooperação entre bancos, fintechs e big techs serão essenciais para conter o avanço das fraudes.
Por Demais FM.
