Na manhã desta quinta-feira (7), o Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) deu início à Operação Arbóreo. A ação busca desarticular um esquema de fraude em licitações e pagamento de propina relacionado ao fornecimento de merenda escolar para a rede municipal de ensino de Blumenau. Ao todo, nove mandados de busca e apreensão estão sendo cumpridos em Blumenau, Indaial e também em Araucária, no estado do Paraná.
Esquema envolvia propina de 3% sobre pagamentos
Segundo as investigações conduzidas pela 14ª Promotoria de Justiça de Blumenau, agentes públicos de primeiro e segundo escalão mantinham um acordo ilegal com representantes de uma grande empresa de alimentos. O esquema funcionava com o pagamento sistemático de 3% de propina sobre cada valor que a prefeitura pagava à empresa pelo serviço de refeições escolares. Estima-se que, entre junho de 2022 e dezembro de 2024, os valores desviados tenham ultrapassado a marca de R$ 3,6 milhões.
Dinheiro era entregue em espécie
O Gaeco descobriu que o grupo monitorava os pagamentos da prefeitura em tempo real. Assim que as faturas eram liquidadas, um dos operadores realizava viagens frequentes até a sede da empresa no Paraná para buscar a propina em dinheiro vivo. A redistribuição dos valores acontecia em locais discretos, como residências dos investigados, estacionamentos de supermercados e até no pátio da prefeitura de Blumenau, sempre com o objetivo de evitar suspeitas das autoridades.

Investigação segue sob sigilo
Os crimes apurados na Operação Arbóreo incluem corrupção ativa e passiva, fraude em licitações e organização criminosa. Todo o material apreendido, como documentos, celulares e computadores, passará por perícia da Polícia Científica para identificar outros possíveis envolvidos. O nome da operação faz referência a um tipo de arroz, ingrediente principal que remete ao nome da empresa investigada. O processo segue em segredo de justiça.
Por: Demais FM / Com informações do Ministério Público de Santa Catarina
