O Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou que vai classificar o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas. A medida foi considerada grave pelo promotor Lincoln Gakiya, que apontou risco de prejuízos para o Brasil.
Risco de menos troca de informações
Em entrevista ao podcast O Assunto, Gakiya afirmou que a mudança pode reduzir a troca de dados entre órgãos de investigação. Segundo ele, ao sair da esfera policial e passar para estruturas ligadas à CIA e aos militares, parte das informações tende a ficar sob sigilo mais rígido.
O promotor disse ainda que não vê benefício prático na medida e teme consequências mais amplas. Para ele, a classificação pode abrir espaço para ações secretas dos Estados Unidos em território brasileiro, algo que considera preocupante.
Impacto no sistema financeiro
Gakiya também chamou atenção para o efeito da decisão sobre o sistema financeiro. Ele citou o uso de postos de combustíveis e fintechs em esquemas de lavagem de dinheiro atribuídos ao PCC e disse que bancos podem acabar sendo atingidos de forma indireta.
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Segundo o promotor, a interpretação mais rígida da nova classificação pode levar a sanções contra instituições que não tiveram contato direto com facções, mas que receberam recursos em cadeias financeiras ligadas ao crime organizado.
Contexto da decisão americana
A medida foi anunciada na mesma semana em que autoridades norte-americanas intensificaram a ofensiva contra cartéis de drogas na América Latina. Os Estados Unidos afirmam que a ação faz parte da estratégia de segurança nacional do governo Trump e do combate ao chamado narcoterrorismo.
O governo brasileiro, segundo informações apuradas pela imprensa, tentava evitar esse anúncio por entender que ele poderia ampliar tensões diplomáticas e abrir margem para respostas mais duras por parte dos americanos.
Por: Demais FM / Com informações de g1
