Política

EDITORIAL: Santa Catarina não é a casa da mãe Joana

Santa Catarina sempre foi conhecida por sua ordem, disciplina e firmeza institucional. Num cenário de acirrado pluralismo, forjaram-se por estas bandas ao longo de décadas, lideranças forjadas em gabinetes de Brasília. Por isso, é inadmissível a forma como lideranças do PL (Partido Liberal), tanto do Estado quanto nacionalmente, vêm tratando a escolha de um adjunto a Senado Federal. Quase um escárnio com a consolidada estrutura democrática que Santa Catarina tem mantido ao longo de praticamente meio século.

Recentemente, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, protagonizou mais um capítulo de falta de respeito ao Estado. Michelle Bolsonaro subiu no palco do interior catarinense defendendo a candidatura da deputada federal Caroline De Toni ao Senado, algo ainda não decidido pelo PL. Ao mesmo tempo, o marido de Caroline, um assessor da família Bolsonaro, ao lado de Carlos Bolsonaro, vereador no Rio de Janeiro, exibia com “orgulho” a repercussão das notícias de bastidores em relação à candidatura dela em detrimento da senadora Ivete da Silveira, suplente de Jorginho Mello. O presidente estadual do PL, Fábio Schiochet, também tem sido alvo de constrangimentos internos ao ter sua autoridade contestada em episódios constrangedores.

Santa Catarina não pode aceitar tamanha desfaçatez de um partido político. Não se trata aqui de juízo de valor sobre esta ou aquela candidatura, mas da forma como o Estado está sendo tratado por seu presidente, mas que, na prática, funciona como dono do partido.

Ora, o que se tem visto é que a democracia interna da legenda não vale para os catarinenses. Quais as razões para tal? Quais os interesses que justificam tamanho desrespeito? E por que somente em Santa Catarina há esse tipo de tratamento desrespeitoso?

É preciso dizer em alto e bom som: Santa Catarina não é casa da mãe Joana. Esse Estado é ordeiro, respeitoso, democrático e sempre esteve aberto ao debate. Mas não pode ser tratado como quintal de um partido político, seja ele qual for.

Nenhum partido político tem o direito de usar os catarinenses como massa de manobra ou de manipulação eleitoral. Esse Estado pode ser hospitaleiro, mas jamais deve ser desrespeitado. Santa Catarina não é a casa da mãe Joana.

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