O mercado financeiro brasileiro encerrou a quinta-feira (9) com forte movimentação: o dólar caiu para o menor nível em dois anos, enquanto a bolsa de valores atingiu um novo recorde histórico. O desempenho positivo reflete uma combinação de fatores internacionais e fluxo de capital para países emergentes, como o Brasil.
A moeda norte-americana fechou o dia cotada a R$ 5,0629, em queda de 0,78%. No acumulado do ano, o recuo já chega a 7,76%. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, avançou 1,52%, aos 195.129 pontos, acumulando alta de mais de 19% em 2026.
O que explica a queda do dólar
Um dos principais fatores por trás da desvalorização da moeda americana está na política externa considerada imprevisível do presidente Donald Trump, que tem gerado incertezas sobre os rumos da maior economia do mundo.
Diante desse cenário, investidores globais passaram a buscar alternativas fora dos Estados Unidos, direcionando recursos para mercados emergentes. Esse movimento aumenta a entrada de dólares no Brasil, o que eleva a oferta da moeda e, consequentemente, reduz seu preço frente ao real.
Na prática, quanto maior o volume de dólares circulando no país, seja por exportações ou investimentos estrangeiros, maior a pressão para queda da cotação.
Cenário internacional pressiona mercados
Apesar do otimismo local, o ambiente global segue marcado por tensões geopolíticas. O conflito no Oriente Médio continua no radar dos investidores, especialmente após o anúncio de um cessar-fogo considerado frágil entre Estados Unidos e Irã.
Relatos de ataques durante a trégua, incluindo ações envolvendo Irã, Israel e países do Golfo, mantêm o mercado em alerta. Há preocupação com possíveis impactos na oferta global de petróleo, principalmente após o fechamento do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas da commodity.
Com isso, o barril do petróleo Brent chegou a subir mais de 2%, influenciando diretamente ações de empresas do setor, como a Petrobras, que avançaram cerca de 3% e ajudaram a impulsionar o Ibovespa.
Dados dos EUA também influenciam
Outro fator relevante veio dos Estados Unidos. Dados recentes mostraram aumento nos pedidos de seguro-desemprego, sinalizando uma possível desaceleração do mercado de trabalho.
O indicador é acompanhado de perto pelo Federal Reserve (Fed), que pode ajustar a política de juros conforme a evolução da economia. Uma desaceleração tende a reduzir pressões inflacionárias, o que pode influenciar decisões futuras sobre taxas de juros — fator crucial para o fluxo de capital global.
Bolsas pelo mundo
Nos Estados Unidos, os principais índices de Wall Street fecharam em alta, refletindo o otimismo moderado:
- Dow Jones: +0,58%
- S&P 500: +0,62%
- Nasdaq: +0,83%
Na Europa, o movimento foi inverso, com quedas nos principais índices, como o DAX (Alemanha) e o CAC 40 (França). Já na Ásia, predominou cautela, com recuos em mercados como China, Japão e Coreia do Sul.
Resumo do mercado
Dólar
- Semana: -1,87%
- Mês: -2,24%
- Ano: -7,76%
Ibovespa
- Semana: +2,23%
- Mês: +2,55%
- Ano: +19,31%
Impacto no dia a dia
A queda do dólar tende a baratear produtos importados e viagens internacionais, além de ajudar no controle da inflação. Por outro lado, pode impactar setores exportadores, que recebem em moeda estrangeira.
Já a alta da bolsa indica maior confiança dos investidores no mercado brasileiro, refletindo tanto fatores internos quanto o cenário global.
Mesmo com o desempenho positivo, especialistas apontam que a volatilidade deve continuar, principalmente diante das incertezas geopolíticas e das decisões econômicas nos Estados Unidos.
Por: Demais FM
