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COLUNA: “Uma reflexão após a despedida de Thalia”

Foto: Thalia Ostéria Goterra Ferreira Martins.

Após o sepultamento da minha jovem, linda e sorridente sobrinha, Thalia Ostéria Goterra Ferreira Martins, de apenas 27 anos, mãe de quatro filhos pequenos, fui tomado por uma necessidade de silêncio e reflexão. Em meio à dor que ecoa na alma, decidi escrever sobre a vida, o suicídio e o inestimável valor da conexão humana.

Quero começar agradecendo profundamente à Luciani Beiger e à equipe da Funerária Nova Vida de Santa Terezinha. A celebração fúnebre que vocês organizaram foi muito mais que um ritual de despedida; foi um ato de amor e acolhimento genuíno. As palavras ditas, cheias de sabedoria e espiritualidade, as músicas suaves e a presença de Deus em cada gesto foram um bálsamo para nossos corações machucados.

Luciani, com sua sensibilidade, nos trouxe as palavras de Santo Agostinho, que ficaram gravadas em nossos corações:

“A morte não é nada. Eu somente passei para o outro lado do caminho. Eu sou eu, vocês são vocês. O que eu era para vocês, continuarei sendo. Me deem o nome que vocês sempre me deram, falem comigo como sempre fizeram. Não utilizem um tom solene ou triste, continuem a rir daquilo que nos fazia rir juntos. Rezem, sorriam, pensem em mim. Que meu nome seja pronunciado como sempre foi, sem ênfase de nenhum tipo. A vida significa tudo o que ela sempre significou, o fio não foi cortado. Por que eu estaria fora de seus pensamentos, agora que estou apenas fora de suas vistas? Eu não estou longe, apenas estou do outro lado do caminho…”

Essas palavras ecoaram em nossa dor, lembrando-nos que as conexões que criamos em vida nunca se perdem. Thalia partiu, mas sua essência vive em nós: em suas lembranças, em seu sorriso, em tudo o que fez por quem a cercava.

A morte sempre nos faz refletir, mas nada é tão devastador quanto a dor de um suicídio. É uma perda que deixa um vazio cheio de perguntas sem respostas e uma dor que dilacera aqueles que ficam. Não cabe a nós julgar as decisões de uma alma em desespero, pois apenas Deus conhece os motivos ocultos nos corações.

Luciani Beiger, terapeuta especializada no luto, disse algo profundo: “Não podemos julgar o que não conhecemos. Não sabemos as mágoas e os pesos que alguém carrega em silêncio.” Essas palavras nos convidam a uma postura de acolhimento, não de julgamento. Apenas Thalia sabia as batalhas que enfrentava, os fardos que a consumiam. Sua decisão, embora difícil de aceitar, está consumada. O que nos resta é orar por sua alma e buscar, em seu legado, lições para amar mais e julgar menos.

Vivemos tempos apressados, onde metas e conquistas materiais muitas vezes nos afastam do que realmente importa. Deixamos de lado as visitas, as conversas sinceras, o olhar nos olhos. E, ironicamente, quando perdemos alguém, largamos tudo para velar, chorar e lamentar o que poderia ter sido feito.

Luciani nos lembrou de algo essencial: “Nada levaremos desta vida, exceto as ações de amor e cuidado que fizemos pelos outros.” Carros, casas, roupas de marca, cargos… tudo ficará para trás. Apenas nossas obras e o amor semeado nos acompanharão.

Pense:

  • Se minha viagem terminasse hoje, qual seria meu legado?
  • Estou cuidando e valorizando quem ainda está ao meu lado?
  • Tenho vivido para acumular bens ou para espalhar amor?

O suicídio é um grito silencioso de quem viveu a dor mais profunda e incompreensível: a dor da alma. Não é fraqueza, não é frescura, não é um pedido de atenção. É um desespero tão grande que a pessoa acredita não haver outra saída.

Se você nunca sentiu esse vazio, agradeça. Mas olhe para aqueles que estão à sua volta. Um comportamento diferente, um olhar distante, um isolamento súbito podem ser sinais de alerta. Não ignore. Pergunte, ouça, aja. Se não souber como ajudar, conduza a pessoa a quem sabe. O CVV (188) está disponível para ouvir sem julgamentos, assim como o CAPS e outros serviços de apoio.

Thalia foi uma jovem doce, amorosa, de sorriso contagiante, que cuidou dos outros com uma dedicação rara. Amava intensamente seus filhos e sua família, sendo uma presença de luz e cuidado em muitos momentos. Apesar disso, travava uma batalha invisível. Em um momento de desespero, decidiu partir, deixando saudades e lições.

O que nos cabe agora é orar por sua alma, pedindo que Deus a envolva em Sua infinita luz e amor. Que ela encontre descanso e paz.

A vida é uma viagem curta. Não sabemos quando será nosso desembarque, mas sabemos que a paisagem é bela e as conexões são preciosas. Cuide de quem você ama. Valorize os momentos simples. Pergunte-se todos os dias: “Estou vivendo para acumular bens ou para espalhar amor?”

Que Deus abençoe a todos nós, que a memória de Thalia seja uma luz em nossos corações e que Sua infinita graça acolha sua alma.

Amém.

Obs: Esse texto é uma acontecimento real, que nosso jornalista e comunicador Sandro Goterra resolveu compartilhar para tocar pessoas, para salvar vidas. É de responsabilidade de Sandro Goterra, e NÃO necessáriamente emite ou/e expressa a opinião da Demais FM.

Por Sandro Goterra.

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