O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) informou que vai recorrer da decisão do júri que absolveu dois réus no caso Ana Beatriz Schelter. O julgamento aconteceu nesta quinta-feira (25), em Florianópolis.
Promotoria contesta resultado do júri
Segundo o promotor de Justiça Jonnathan Augustus Kuhnen, as provas reunidas ao longo da investigação sustentam a participação dos acusados nos crimes.
Ele afirmou que um dos homens, de 63 anos, teria participado diretamente das violências que levaram à morte da vítima, incluindo estupro de vulnerável. O outro, de 55 anos, teria interferido na investigação, alterando elementos que poderiam servir como prova.
“Respeitamos a decisão do júri, mas entendemos que há elementos suficientes para sua revisão e, por isso, vamos recorrer”, disse o promotor.

Crime ocorreu em 2016, em Rio do Sul
Ana Beatriz tinha 12 anos quando desapareceu no dia 2 de março de 2016, ao sair de casa a caminho da escola, em Rio do Sul, no Vale do Itajaí. Ela nunca chegou ao destino.
O corpo foi encontrado no dia seguinte dentro de um contêiner, às margens da BR-470. A perícia concluiu que a cena foi montada para simular um suicídio, hipótese descartada pela investigação.
O laudo confirmou violência sexual e morte por asfixia.
Investigação apontou participação de três réus
O MPSC denunciou três homens no âmbito da Operação Fênix, conduzida pelo GAECO de Blumenau, com coordenação da 3ª Promotoria de Justiça de Rio do Sul.
Um deles já havia sido condenado em maio deste ano por estupro de vulnerável, homicídio qualificado por feminicídio e fraude processual. A pena fixada foi de 58 anos e nove meses de prisão, em regime fechado, além de detenção em regime semiaberto.
Nesta quinta-feira, o júri analisou os outros dois acusados. Segundo a acusação, os envolvidos mantinham ligação com exploração sexual de crianças e adolescentes e teriam oferecido carona à vítima no dia do crime.
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Julgamento foi transferido para Florianópolis
O júri ocorreu na capital porque a defesa pediu o desaforamento, que é a mudança do julgamento de cidade. O Tribunal de Justiça de Santa Catarina aceitou o pedido em fevereiro de 2026.
A mudança foi autorizada diante da repercussão do caso e do tempo de espera para a realização do júri.
