O Boletim Agropecuário de maio da Epagri/Cepa mostra um retrato misto do agronegócio catarinense. Enquanto alguns produtos registram valorização por causa da oferta menor, outros sentem a pressão da safra recorde, do clima e da demanda internacional.
Grãos sentem pressão do mercado e do clima
No campo dos grãos, o feijão voltou a subir em Santa Catarina por causa da redução de área e da quebra de safra no Sul do país. O arroz teve alta em abril, mas perdeu força no começo de maio. Já a soja recuou com a pressão da safra recorde no Brasil e no mercado global, e o milho também fechou abril em baixa, influenciado pelo avanço da colheita e pela expectativa de oferta maior.
O trigo mostrou reação no curto prazo, mas a tendência para a próxima safra é de encolhimento da área plantada no estado, diante dos riscos climáticos e do custo de produção mais alto.
Hortaliças e frutas seguem movimentos diferentes
Entre as hortaliças, a cebola catarinense ganhou espaço na entressafra e teve forte valorização, enquanto o alho enfrentou pressão de preços por conta da oferta elevada e das importações. Na fruticultura, a banana-caturra caiu com o aumento da oferta, mas a banana-prata conseguiu segurar melhor os preços.
A combinação mostra um mercado bastante dividido, com produtos valorizados pela escassez e outros penalizados pelo excesso de oferta.
Carnes garantem resultados positivos nas exportações
No setor de proteínas, Santa Catarina teve desempenho forte. A carne de frango registrou recorde de receitas no quadrimestre, com alta nas exportações e compensação de perdas em mercados do Oriente Médio por meio de novos destinos. A carne suína também fechou o período com o melhor desempenho da série histórica em volume e valor.
O boi gordo seguiu valorizado, sustentado pela demanda externa e pelo novo ciclo pecuário, reforçando a tendência de firmeza nos preços.
Lácteos ainda registram déficit, mas preços reagem
Na cadeia do leite, Santa Catarina continuou com déficit na balança comercial, já que as importações cresceram mais que as exportações. Mesmo assim, os preços ao produtor e no atacado mostraram recuperação, indicando melhora nas cotações internas.
No conjunto, o boletim revela um agro catarinense resiliente, mas marcado por oscilações fortes entre os diferentes segmentos.
Resumo geral dos dados
Feijão-carioca: R$ 259,29 por saca em abril, alta de 9,23%.
Feijão-preto: R$ 159,43 por saca em abril, alta de 2,18%.
Arroz: média parcial de R$ 57,35 por saca de 50 kg no início de maio.
Milho: R$ 58,65 por saca em abril, queda de quase 2%.
Soja: R$ 116,90 por saca em abril, recuo de 4%.
Trigo: R$ 62,45 por saca em abril, alta de quase 2%.
Banana-caturra: queda de 20% entre março e abril.
Banana-prata: alta de 2,4% entre março e abril.
Alho: R$ 6,75 por quilo ao produtor, queda de 11%.
Cebola: R$ 2,06 por quilo ao produtor, alta de 23%.
Boi gordo: alta de 1,4% em maio.
Frango: 112,7 mil toneladas exportadas em abril e US$ 242,3 milhões em receitas.
Suínos: 64,2 mil toneladas exportadas em abril e US$ 161,9 milhões em receitas.
Leite: R$ 2,62 por litro ao produtor no início de maio.
Por: Demais FM / Com informações de Epagri/Cepa
