Segurança

Após nove anos, quatro homens são condenados por homicídio em Mafra

 

Tribunal do Júri reconhece autoria de ataque que matou jovem e feriu duas pessoas

Foram necessários nove anos de espera, dois dias de julgamento e muita emoção até que a Justiça fosse feita. Na última semana, o Tribunal do Júri da Comarca de Mafra condenou quatro homens pelo homicídio de Gean Robert Gonçalves Wolski e pela tentativa de homicídio contra seu pai e um amigo. O crime ocorreu na noite de 22 de julho de 2016, no bairro Amola Flecha, em Mafra, e teve como motivação uma briga em um bar.

Vítima homenageada em manifestação silenciosa

Na manhã de 24 de julho, um dia antes do julgamento, familiares e amigos de Gean realizaram uma manifestação pacífica em frente ao Fórum de Mafra. Vestindo camisetas brancas com a foto do jovem e a palavra “Justiça”, eles formaram um corredor de silêncio e emoção. Cartazes com mensagens de saudade, dor e esperança reforçaram o apelo por justiça. A iniciativa partiu da mãe da vítima, Rose Bueno de Lima, que expressou sua fé:
“Espero que a justiça divina seja feita pelas mãos dos homens.”

Crime premeditado e execução brutal

Segundo o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), o crime foi premeditado. Após um desentendimento em um bar com Gean, dois dos réus – Alisson Passerino Costa e Ademir Mamede – se retiraram do local e reuniram-se com Luciano Carneiro de Souza Junior e Adilson Costa. O grupo se armou e se posicionou em um terreno baldio próximo à casa da vítima, aguardando seu retorno.

Quando Gean, seu pai e um amigo voltaram para casa, os quatro homens abriram fogo. Gean foi atingido fatalmente pelas costas e morreu no local. As outras duas vítimas sofreram ferimentos graves, mas sobreviveram após atendimento médico.

Júri condena e justiça é executada imediatamente

Durante a sessão do Tribunal do Júri, as Promotoras de Justiça Rayane Santana Freitas e Fernanda Priorelli Soares Togni apresentaram provas contundentes que comprovaram a responsabilidade dos acusados. As teses do MPSC foram integralmente acolhidas pelo Conselho de Sentença, resultando na condenação de todos os réus:

  • Luciano Carneiro de Souza Junior: 65 anos de reclusão
  • Alisson Passerino Costa: 60 anos de reclusão
  • Ademir Mamede: 60 anos de reclusão
  • Adilson Costa: 59 anos e 4 meses de reclusão

Todos cumprirão as penas em regime fechado. Os réus, que estavam em liberdade durante o processo, foram presos imediatamente após a sentença, com base no entendimento do STF que permite a execução imediata de condenações do Tribunal do Júri.

Justiça reconhecida pela família

A decisão trouxe alívio à família de Gean. A mãe, Rose, emocionada, declarou:
“É um alívio após uma espera de nove anos. Eu sabia que Deus moveria céu e terra para fazer justiça — e ela foi feita.”

As promotoras também destacaram a importância do julgamento:
“O Ministério Público buscou não apenas realizar a justiça, mas acolher os familiares das vítimas e sustentar as provas com responsabilidade jurídica”, afirmou Rayane Santana.
“A sociedade catarinense deu sua resposta: não tolera crimes como este, mesmo anos depois”, completou Fernanda Togni.

Por Demais FM

Informações MPSC

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