Saúde

Apenas 20,5% das crianças foram vacinadas contra a gripe no Planalto Norte

Foto: Thiago Kaue / Secom GovSC / Reprodução D+News

A baixa procura pela vacina contra a gripe acendeu um sinal de alerta máximo no Planalto Norte de Santa Catarina. Segundo dados da Vigilância Epidemiológica, a cobertura vacinal está muito abaixo do esperado em todos os grupos prioritários, mas a situação é considerada crítica entre as crianças, onde apenas 20,59% do público-alvo foi imunizado até o momento.

Cenário regional e estadual em alerta

O desempenho do Planalto Norte acompanha uma tendência preocupante em todo o estado. Em Santa Catarina, após um mês de campanha, os índices continuam distantes da meta de 90%. Além das crianças, as gestantes da região registram 42,99% de cobertura e os idosos somam 37,88%. Embora esses números sejam um pouco maiores, ainda são insuficientes para garantir a chamada proteção coletiva.

A coordenadora da Vigilância Epidemiológica, Grazielle Machado Kovalski, e o gerente da Regional de Saúde de Mafra, Ricardo Nestor de Paula, destacam que o principal entrave é a baixa procura espontânea da população. O papel da regional tem sido orientar os municípios e monitorar os indicadores para tentar reverter esse quadro antes do pico das doenças respiratórias.

Riscos com a chegada do inverno

Com o inverno se aproximando, a circulação dos vírus influenza A (H1N1 e H3N2) e influenza B aumenta significativamente. O diretor da Dive, João Augusto Fuck, reforça que a baixa adesão infantil é preocupante, pois as crianças são mais suscetíveis a complicações graves. A falta de proteção adequada pode levar à reintrodução de doenças e à ocorrência de surtos em comunidades escolares e familiares.

A vacina é gratuita e está disponível em todas as Unidades Básicas de Saúde (UBS) da região. O imunizante leva de duas a três semanas para atingir a proteção ideal no organismo, por isso as autoridades recomendam que as famílias não deixem para a última hora.

Superlotação de UTIs agrava a situação

A preocupação com a gripe ganha um contorno ainda mais grave quando analisada junto à situação dos hospitais. Atualmente, as regiões do Planalto Norte e Nordeste enfrentam uma ocupação de leitos de UTI superior a 90% como noticiamos no último dia 29. Em toda a rede, que atende mais de 1,4 milhão de pessoas, restavam apenas 14 vagas livres até o início desta semana.

O cenário é ainda mais delicado nas UTIs neonatais, destinadas aos recém-nascidos, onde a ocupação chegou a 94,7%. A maioria das internações ocorre por problemas cardíacos, prematuridade e agravamentos respiratórios. Para tentar aliviar o sistema, o governo estadual inaugurou recentemente 10 novos leitos em Rio Negrinho, mas a prevenção através da vacina continua sendo a melhor estratégia para evitar que novos pacientes precisem de suporte intensivo.

Quem deve procurar as unidades de saúde

A campanha de vacinação foca em grupos com maior risco de complicações. Além de crianças de 6 meses a menores de 6 anos, gestantes e idosos, o público-alvo inclui puérperas, pessoas com comorbidades (como diabetes e doenças cardíacas), trabalhadores da saúde, professores, forças de segurança e caminhoneiros.

A orientação é que as famílias mantenham a carteirinha de vacinação atualizada e procurem o posto de saúde mais próximo. Em caso de sintomas gripais, a recomendação é buscar atendimento médico imediato para evitar que o quadro evolua para uma necessidade de internação, ajudando a desafogar o sistema público de saúde.

Por: Demais FM / Com informações do SECOM

Grupo de Notícias