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Autor de ataque a creche em Blumenau falou a amigo que ‘faria algo grande’ duas semanas antes de assassinatos, diz delegado

O autor do ataque a creche em Blumenau, no Vale do Itajaí, em Santa Catarina, falou a um amigo que “faria algo grande” duas semanas antes de invadir uma escola, matar quatro crianças e deixar cinco feridas, segundo o delegado Ronnie Esteves.

Em coletiva de imprensa, nesta segunda-feira (17), a Polícia Civil voltou a descartar que houve incentivo ou participação de outras pessoas, disse que o criminoso participava de grupos de preferência satânica nas redes sociais (leia mais abaixo) e deu detalhes da investigação.

“Se reuniu com esse amigo na praça, teria conversado sobre a machadinha, sobre o padrasto, uma perseguição e teria dito que faria algo grande, não disse o que”, relatou o Esteves.

Ainda, segundo o delegado, o assassino tentou incriminar um policial militar por quem tinha admiração como mandante do crime. A hipótese foi descartada pela investigação, informou Esteves.

“O autor [do ataque] fez academia onde o policial militar treina e esse policial nunca teve contato por ele. Ele tinha uma admiração também por ele ser lutador de jiu-jitsu”, diz.

O criminoso segue preso e foi indiciado por quatro homicídios e quatro tentativas de homicídio triplamente qualificados.

De acordo com Esteves, o assassino era usuário de drogas e “já estava vendo coisas”.

“Ele começa a vender droga, procura afastar pessoas que poderiam impedir que levasse à frente essa vontade de consumo e venda. A gente acredita que ele possa ter pensado no policial [que tentou incriminar], que poderia ter feito algo contra ele”, diz.

A divulgação da conclusão do inquérito ocorre no mesmo dia em que as aulas no Centro Educacional Cantinho Bom Pastor foram retomadas. As escolas municipais também foram reabertas nesta segunda, na cidade, após uma semana.

Polícia descarta “desafio”

O delegado-geral da Polícia Civil informou que, com base na perícia feita no celular do criminoso, foi possível descartar qualquer ação coordenada, como um desafio, e com a participação de outros envolvidos.

“Pela análise, fizemos uma extração profunda, inclusive dados apagados, não havia nenhuma coordenação, não foi planejado por mais de uma pessoa. Foi um ato isolado, ou seja, que uma única pessoa praticou”, afirmou.

Ainda, segundo o delegado, no celular foi possível encontrar o interesse dele por informações satânicas. “Participava de grupos no Facebook, de pesquisa satânica, que chamou atenção”, relatou.

Creche reabre

Desde o ataque, que ocorreu na manhã de 5 de abril, pais, professores e moradores da cidade participaram de um mutirão de reforma da área externa e interna da creche. Entre as alterações, o muro foi levantado e a fachada da unidade foi modificada.

 

 

Por Clarìssa Batìstela e Joana Caldas, g1 SC

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