Eleições 2026

Jorginho Mello lidera corrida pelo Governo de SC e João Rodrigues tenta levar disputa ao segundo turno

Primeiro levantamento da Quaest contratado pela NSC para a eleição estadual coloca o governador na dianteira e acrescenta um novo termômetro à campanha; disputa entra em fase decisiva com o início da propaganda eleitoral no rádio e na televisão

A corrida pelo Governo de Santa Catarina ganhou nesta segunda-feira (24) um dos retratos mais aguardados da campanha eleitoral de 2026. A primeira pesquisa Quaest contratada pela NSC para medir a disputa estadual aponta o governador Jorginho Mello (PL) na liderança, à frente de João Rodrigues (PSD), principal adversário na tentativa de impedir uma definição da eleição ainda no primeiro turno.

Cenário estimulado — Governo de Santa Catarina

Candidato / resposta Intenção de voto
Jorginho Mello 50%
João Rodrigues 17%
Gelson Merísio 4%
Marcus Sodré 2%
Bruno Pedreiro 1%
Laís Chaud 1%
Marcelo Brigadeiro 1%
Ralf Zimmer 0%
Brancos e nulos 8%
Indecisos 16%
Total 100%

Observação: Jorginho Mello registra 50% considerando o total da amostra. A definição de vitória em primeiro turno, porém, considera mais de 50% dos votos válidos, excluindo votos brancos e nulos. Portanto, os 50% da pesquisa não devem ser comparados diretamente com o patamar de 50% dos votos válidos sem realizar essa conversão.

Portanto, se a eleição fosse realizada hoje e os números da Quaest se confirmassem nas urnas, Jorginho estaria em condição de garantir a reeleição ainda no primeiro turno.A diferença para o segundo colocado também é expressiva. Jorginho possui 33 pontos percentuais de vantagem sobre João Rodrigues e 46 pontos sobre Gelson Merísio.

Mais do que estabelecer uma fotografia das intenções de voto, a chegada da Quaest ao cenário catarinense ocorre em um momento politicamente estratégico. A campanha oficial já está nas ruas e, na sexta-feira (28), começa a propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão, aumentando significativamente a exposição dos candidatos ao eleitorado.

O levantamento reforça uma tendência observada em pesquisas anteriores: Jorginho inicia a fase mais intensa da campanha na condição de favorito, enquanto João Rodrigues precisa crescer e, simultaneamente, reduzir a vantagem do governador para transformar a eleição em uma disputa de segundo turno.

O cenário da disputa pelo Governo de Santa Catarina

A pesquisa Quaest reforça uma configuração política que vem se consolidando ao longo de 2026: Jorginho Mello ocupa a primeira posição, João Rodrigues aparece como principal desafiante e Gelson Merisio (PSB) tenta ampliar seu espaço como representante do campo de centro-esquerda.

Na prática, a disputa apresenta movimentos distintos:

Campo político Principal candidato Objetivo nesta fase
PL e aliados Jorginho Mello Manter a liderança e buscar vitória no primeiro turno
PSD e aliados João Rodrigues Crescer e provocar segundo turno
Centro-esquerda/esquerda Gelson Merisio Ampliar espaço eleitoral e consolidar candidatura
Demais candidaturas Outros nomes Ganhar conhecimento e ampliar participação

A posição de Jorginho não aparece isoladamente. Outros institutos que divulgaram levantamentos durante o ano também colocaram o governador na liderança.

Em maio, por exemplo, levantamento Neokemp registrou 54,2% para Jorginho Mello, contra 18,3% de João Rodrigues e 7,8% de Gelson Merisio. A pesquisa ouviu 1.008 pessoas e tinha margem de erro de 3,1 pontos percentuais.

No levantamento da Neokemp divulgado no final de julho, Jorginho apareceu com 52,8%, João Rodrigues com 20,3%, Gelson Merisio com 8,2%, Marcelo Brigadeiro (Missão) com 2,5% e Ralf Zimmer (PRD) com 1,7%.

Embora metodologias, amostras e períodos de coleta sejam diferentes — o que impede uma comparação matemática direta entre pesquisas de institutos distintos — existe uma característica recorrente: Jorginho aparece na primeira colocação e João Rodrigues na segunda.

O verdadeiro jogo: primeiro ou segundo turno?

Politicamente, este é um dos pontos mais importantes para compreender o atual estágio da eleição catarinense.

A principal batalha dos adversários de Jorginho neste momento não é necessariamente ultrapassá-lo imediatamente. Antes disso, precisam impedir que o governador obtenha votos suficientes para encerrar a disputa ainda no primeiro turno.

Pela legislação eleitoral brasileira, um candidato a governador é eleito no primeiro turno quando obtém mais da metade dos votos válidos. Votos brancos e nulos são excluídos desse cálculo.

Isso significa que uma pesquisa na qual determinado candidato aparece próximo ou acima dos 50% precisa ser analisada também considerando indecisos, brancos e nulos.

As estratégias dos dois principais campos políticos podem ser resumidas da seguinte maneira:

Jorginho Mello João Rodrigues e adversários
Preservar a vantagem Reduzir a vantagem do governador
Evitar perda de votos Ampliar intenção de voto
Manter os adversários fragmentados Concentrar votos suficientes para provocar segundo turno
Superar 50% dos votos válidos Manter Jorginho abaixo dos 50% dos válidos
Transformar favoritismo em vitória Levar a eleição para uma nova votação

É justamente esse cálculo que explica por que uma liderança confortável nas pesquisas não significa que uma eleição esteja definida.

Pesquisa eleitoral não é previsão do resultado das urnas. É uma fotografia das preferências declaradas pelos entrevistados durante determinado período.

Para João Rodrigues, o desafio é particularmente complexo.

O candidato do PSD não depende apenas do próprio crescimento. Para que a eleição caminhe efetivamente para um segundo turno, também precisa ocorrer uma redução relativa da força eleitoral de Jorginho ou um crescimento combinado das demais candidaturas.

Em outras palavras, João pode aumentar sua intenção de voto e, ainda assim, Jorginho permanecer em condições de vencer no primeiro turno, dependendo da distribuição dos votos.

A campanha de Rodrigues precisa, portanto, produzir dois movimentos simultâneos: ampliar sua própria base eleitoral e conquistar uma parcela dos eleitores que atualmente manifesta preferência pelo governador.

É uma tarefa politicamente mais difícil do que simplesmente conquistar os indecisos.

O PSD montou uma aliança com o objetivo de oferecer estrutura estadual à candidatura de Rodrigues. A campanha começou oficialmente com agendas pelo Estado e uma coalizão envolvendo PSD, MDB e a federação União Progressista.

Jorginho entra na fase decisiva com a vantagem de quem governa

Jorginho Mello chega à fase mais intensa da campanha ocupando o Palácio da Agronômica e carregando uma vantagem importante: além de liderar levantamentos eleitorais, possui a exposição natural proporcionada pelo exercício do governo.

A estratégia política do PL é transformar essa dianteira em votos suficientes para evitar uma segunda votação.

A própria movimentação do governador indica que a campanha entrará em outro ritmo. Jorginho anunciou a intenção de licenciar-se da função de governador em 31 de agosto para dedicar-se à campanha eleitoral.

A medida tende a permitir uma agenda eleitoral mais intensa pelo Estado justamente quando a propaganda no rádio e na televisão estará em andamento.

Pesquisas anteriores ajudam a dimensionar o cenário

Embora pesquisas realizadas por institutos diferentes não devam ser tratadas como uma única série histórica, os levantamentos ajudam a compreender a posição ocupada pelos principais candidatos durante o ano.

Pesquisa Jorginho Mello João Rodrigues Gelson Merisio
Mapa – início de março 56,2% 15,5% 3,4%
Neokemp – maio 54,2% 18,3% 7,8%
Neokemp – julho 52,8% 20,3% 8,2%

No levantamento Mapa realizado entre 23 de fevereiro e 3 de março, Jorginho tinha 56,2%, contra 15,5% de João Rodrigues.

Em maio, a Neokemp registrou Jorginho com 54,2% e João com 18,3%.

No levantamento da Neokemp divulgado em julho, a diferença permaneceu superior a 30 pontos percentuais.

É importante destacar, entretanto, que os números não representam necessariamente uma evolução estatística direta. Cada instituto utiliza metodologia, amostragem e período de entrevistas próprios. A comparação serve principalmente para mostrar como os candidatos apareceram em diferentes fotografias do eleitorado ao longo de 2026.

Gelson Merisio tenta transformar disputa da direita em oportunidade

Outro personagem importante nessa equação é Gelson Merisio.

O candidato do PSB procura ocupar um espaço eleitoral diferente daquele disputado diretamente por Jorginho Mello e João Rodrigues.

Enquanto PL e PSD disputam parcelas importantes do eleitorado conservador e de direita — historicamente expressivo em Santa Catarina — Merisio tenta consolidar uma candidatura ligada ao campo político que sustenta o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A configuração produz uma eleição peculiar: dois candidatos competitivos disputam principalmente o eleitorado situado à direita, enquanto Merisio procura concentrar votos de centro-esquerda e esquerda.

Essa distribuição pode ser determinante para a existência ou não de segundo turno.

Quanto maior a parcela de votos destinada a Rodrigues, Merisio e aos demais candidatos, menor tende a ser a concentração proporcional de votos válidos em torno de Jorginho.

Propaganda eleitoral abre uma nova etapa

A divulgação da pesquisa Quaest acontece às vésperas de uma mudança importante na campanha.

Na sexta-feira (28), começa a propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão.

É justamente nesse período que uma parcela do eleitorado menos envolvida com o cotidiano político passa a receber diariamente as mensagens das campanhas.

A propaganda pode aumentar o conhecimento de candidatos menos conhecidos, consolidar votos ainda considerados frágeis e também alterar os índices de rejeição à medida que comparações e ataques entre adversários passam a ocupar maior espaço.

Para Jorginho, o objetivo será defender a vantagem.

Para João Rodrigues, será necessário transformar exposição em crescimento eleitoral.

Para Merisio e os demais concorrentes, o desafio será convencer o eleitorado de que existe uma disputa além dos dois candidatos que atualmente aparecem nas primeiras posições.

Por que a Quaest provoca tanta expectativa política?

A chegada da Quaest a Santa Catarina vinha sendo acompanhada de perto por partidos, candidatos, dirigentes e analistas políticos.

Isso acontece porque uma pesquisa eleitoral produz consequências que ultrapassam a simples percepção do eleitor.

Os números podem interferir na disposição de aliados, na mobilização das bases partidárias, na arrecadação de recursos, nas estratégias de comunicação e até na definição de quais adversários serão priorizados pelas campanhas.

Um candidato consolidado em segundo lugar, por exemplo, pode tentar construir o discurso do chamado “voto útil”, buscando convencer eleitores de outras candidaturas de que concentrar votos nele seria a alternativa mais eficiente para provocar segundo turno.

Já o candidato que lidera pode utilizar os números para reforçar uma narrativa de continuidade e tentar criar a percepção de que existe a possibilidade de uma vitória antecipada.

É uma disputa não apenas por votos, mas também pela construção da percepção pública sobre quem possui condições reais de vencer.

Eleição está longe de ser considerada encerrada

Apesar da vantagem registrada por Jorginho Mello, qualquer interpretação responsável das pesquisas precisa considerar um ponto fundamental: levantamentos eleitorais medem um determinado momento e não antecipam necessariamente o resultado das urnas.

Campanhas possuem acontecimentos capazes de alterar o comportamento do eleitor.

Debates, entrevistas, propaganda eleitoral, denúncias, alianças, erros de campanha, desempenho dos candidatos e até acontecimentos nacionais podem modificar o cenário.

O conjunto dos levantamentos divulgados até aqui, entretanto, permite uma conclusão política: Jorginho Mello entra na fase mais intensa da campanha em posição privilegiada.

João Rodrigues aparece como seu principal adversário e precisa acelerar o crescimento para reduzir a distância.

Gelson Merisio tenta consolidar um terceiro polo.

As candidaturas menores, por sua vez, precisam ganhar visibilidade justamente no momento em que rádio e televisão passam a colocar a eleição diariamente diante de milhões de catarinenses.

A partir de agora, portanto, a pergunta central da eleição catarinense deixa gradualmente de ser apenas “quem está na frente?”.

Os levantamentos divulgados ao longo do ano vêm apresentando uma resposta relativamente consistente para essa questão.

A grande incógnita passa a ser outra:

Jorginho Mello conseguirá transformar a liderança das pesquisas em uma vitória ainda no primeiro turno ou João Rodrigues, Gelson Merisio e os demais candidatos conseguirão reunir votos suficientes para levar a disputa pelo Governo de Santa Catarina para uma segunda votação?

Com a campanha entrando em sua fase de maior exposição, a pesquisa Quaest coloca essa disputa definitivamente no centro do tabuleiro político catarinense.

Ficha técnica

  • Período avaliado: entre 20 e 23 de agosto de 2026
  • Amostra: 804 eleitores com mais de 16 anos
  • Margem de erro: 3 (três) pontos percentuais para mais ou para menos
  • Nível de confiança: 95%.
  • Solicitante: NC Comunicações S/A (NSC TV)
  • Registro no TRE: sob o número SC-00517/2026 / BR-07160/2026.

Por Demais FM / Informações NSC TV

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