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“A corrupção tem jeito no Brasil?”: André Mendonça diz que resposta depende de cada cidadão

Crédito: Carlos Moura/ SCO/STF

A corrupção no Brasil tem solução? Para o ministro André Mendonça, vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a resposta não é simplesmente sim ou não. “Depende”, afirmou ao relatar uma pergunta feita por uma jornalista da Globo.

Segundo Mendonça, o enfrentamento da corrupção começa pela responsabilidade individual e não deve ser atribuído exclusivamente aos políticos, servidores públicos ou instituições de controle.

“Depende de cada um de nós”, resumiu o ministro.

Corrupção começa também nas pequenas atitudes

Na avaliação de Mendonça, a discussão sobre corrupção precisa ultrapassar os grandes escândalos envolvendo dinheiro público. Ele citou situações aparentemente pequenas do cotidiano para defender que a honestidade deve ser praticada de forma permanente. Entre os exemplos mencionados estão um troco recebido de maneira incorreta em uma padaria ou supermercado, relações entre colegas de trabalho e situações envolvendo clientes e prestadores de serviços.

A ideia apresentada pelo ministro é que a tolerância com pequenas práticas desonestas pode contribuir para uma cultura em que comportamentos mais graves também encontram espaço. Para Mendonça, portanto, o combate à corrupção começa antes de chegar aos tribunais ou às operações policiais: passa pelo comportamento cotidiano de cada cidadão.

Ministro também chama atenção para a corrupção privada

Outro ponto destacado pelo vice-presidente do TSE foi a chamada corrupção privada. Mendonça afirmou que práticas de desvio de recursos e quebra de confiança também podem ocorrer dentro de empresas e nas relações privadas. Segundo ele, países europeus possuem legislação específica para tratar desse tipo de conduta, enquanto o Brasil não possui uma legislação geral específica equivalente para a corrupção entre particulares.

A observação amplia o debate. Para o ministro, não se pode discutir corrupção apenas sob a perspectiva dos agentes públicos, já que comportamentos ilícitos também podem ocorrer no ambiente empresarial e nas relações privadas.

Autoridades têm responsabilidade maior

Apesar de defender que a responsabilidade é coletiva, Mendonça fez uma ressalva importante: quem ocupa uma função pública tem um nível maior de responsabilidade diante da sociedade. Ele incluiu nessa cobrança magistrados, integrantes do Ministério Público, policiais e investigadores.

A razão, segundo o ministro, está na relação de confiança estabelecida entre a sociedade e aqueles que recebem autoridade para exercer funções públicas. Mendonça afirmou que conhece a responsabilidade associada ao cargo que ocupa e defendeu que magistrados e demais autoridades devem atuar como exemplos para a sociedade.

A responsabilidade de dar o exemplo

Em um dos momentos mais pessoais de sua fala, Mendonça relacionou a responsabilidade de quem ocupa uma posição pública à sua própria fé religiosa. Ele afirmou que, entre os evangélicos, talvez seja atualmente uma das pessoas que ocupam um cargo de maior relevância nacional e, por isso, entende que precisa ser exemplo.

A reflexão foi relacionada pelo ministro a uma passagem das cartas de Paulo, quando o apóstolo afirma: “sejam meus imitadores, como eu sou de Cristo”. Mendonça fez questão de dizer que não estava se comparando a Paulo, mas utilizou a passagem para explicar a dimensão do exemplo pessoal. Segundo ele, a conduta de uma pessoa que ocupa posição de destaque pode influenciar a maneira como toda uma comunidade é percebida.

O recado político por trás da fala

Embora a declaração não apresente uma proposta legislativa específica, ela toca em uma questão central do debate político brasileiro: o combate à corrupção depende apenas de leis e instituições ou também de uma mudança de comportamento social?

A resposta apresentada por Mendonça combina as duas dimensões. De um lado, ele atribui ao cidadão a responsabilidade de agir com honestidade nas relações cotidianas. De outro, afirma que agentes públicos e integrantes das instituições de Estado carregam uma responsabilidade ainda maior porque exercem funções baseadas na confiança da sociedade.

A mensagem, portanto, é direta: não basta cobrar honestidade dos outros. Para Mendonça, a mudança precisa começar também pela própria conduta.

E é justamente nesse ponto que a fala ganha dimensão política: em um país marcado por sucessivos escândalos de corrupção e desconfiança nas instituições, o ministro coloca o comportamento individual e a responsabilidade das autoridades no centro da discussão.

Para André Mendonça, a corrupção pode ter jeito no Brasil — mas a solução, segundo ele, não está apenas no Congresso, na Justiça, na polícia ou nos governos. Ela também começa nas escolhas feitas todos os dias por cada cidadão.

Por Demais FM / G1

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