A Polícia Civil de Papanduva avançou nas investigações sobre a tragédia que matou a gerente do Restaurante Matinhos, Mariane Hilko, de 33 anos, na noite da última quarta-feira (5), às margens da BR-116. A principal linha de investigação aponta que o motorista do ônibus pode ter cometido um erro ao realizar uma manobra, provocando o avanço do veículo que terminou na morte da vítima.
Inicialmente, a informação era de que o atropelamento teria ocorrido enquanto Mariane tentava cobrar uma conta de passageiros que deixavam o restaurante. No entanto, após os primeiros levantamentos, a dinâmica dos fatos passou a ser analisada de forma diferente.
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Segundo o delegado Eduardo Borges, o ônibus da marca Mercedes-Benz/Busscar já estava estacionado em frente ao restaurante quando ocorreu uma discussão entre dois passageiros cubanos e funcionários do estabelecimento. O desentendimento teria começado porque os passageiros pretendiam pagar a conta utilizando dólares.
Enquanto a discussão acontecia, o coletivo permaneceu parado. No momento em que o motorista iniciou a saída do local, Mariane estava posicionada em frente ao ônibus.
Principal hipótese é erro na troca de marcha
De acordo com a Polícia Civil, a principal hipótese é que o motorista tenha se confundido ao selecionar a marcha do veículo. A intenção seria realizar uma manobra em marcha à ré, porém o ônibus acabou avançando para frente.
O coletivo passou sobre uma proteção existente no local, atingiu Mariane, derrubou parte de uma mureta, colidiu contra uma coluna e invadiu o interior do restaurante. A gerente morreu prensada no impacto.
A violência da colisão provocou grandes danos na estrutura do estabelecimento e, segundo a investigação, a tragédia poderia ter sido ainda maior. Conforme o delegado, caso houvesse passageiros ocupando as primeiras poltronas da parte superior do ônibus, eles também poderiam ter sido atingidos pela estrutura.
Imagens da cabine podem esclarecer o acidente
A Polícia Civil realizou novas diligências nesta quinta-feira (6), conversou com o engenheiro responsável pela obra do restaurante, ouviu testemunhas e também motoristas experientes em conduzir veículos do mesmo modelo, buscando entender como ocorreu a manobra.
Agora, uma das principais expectativas da investigação está nas imagens registradas pela câmera instalada na cabine do ônibus. A empresa responsável pelo coletivo informou que irá disponibilizar as gravações, que poderão esclarecer exatamente quais foram as ações do motorista nos segundos que antecederam o acidente.
Segundo o delegado, o motorista não participou da discussão entre passageiros e funcionários, mas estava nervoso devido ao tempo de espera. “Eles ficaram muito tempo parados no restaurante, o motorista estava nervoso. Estavam todos com os ânimos exaltados. Isso pode ter contribuído”, afirmou.
Tragédia comoveu Papanduva
Mariane Hilko foi atingida pelo ônibus e prensada contra uma mureta de proteção na área externa do restaurante. Quando os bombeiros chegaram ao local, ela já estava sem sinais vitais e apresentava múltiplos traumas.
O ônibus transportava 38 passageiros e seguia viagem de São Paulo para Porto Alegre. O motorista, de 65 anos, foi encaminhado ao Hospital São Sebastião em estado de forte abalo emocional. Uma passageira de 62 anos também precisou de atendimento médico após sofrer um ferimento no olho causado por estilhaços de vidro.
O corpo de Mariane foi velado na Igreja São Pedro, na localidade de Queimados, e sepultado na tarde desta quinta-feira (6), no Cemitério Municipal de Papanduva.
As investigações seguem em andamento e a Polícia Civil aguarda a análise das imagens da cabine para confirmar a dinâmica do acidente e esclarecer definitivamente as circunstâncias da tragédia.
Por Demais FM / JMais
