A Polícia Civil de Santa Catarina, por meio da Delegacia de Proteção à Criança, ao Adolescente, à Mulher e ao Idoso (DPCAMI) de Mafra, concluiu duas investigações de grande repercussão envolvendo adolescentes e crianças. Os procedimentos tratam de um caso de suspeita de estupro de vulnerável e de um ato infracional análogo ao tráfico de drogas, este último relacionado a uma tentativa de homicídio motivada por uma dívida com uma facção criminosa.
Criança revelou suposto abuso na escola
No primeiro caso, a investigação teve início após uma criança fazer uma revelação espontânea sobre um suposto abuso durante atividades no ambiente escolar.
A partir da informação, a DPCAMI instaurou um Auto de Apuração de Ato Infracional para investigar um fato análogo ao crime de estupro de vulnerável. Durante as diligências, foram ouvidos o representante legal da vítima e o adolescente investigado, que negou as acusações.
Segundo a Polícia Civil, por se tratar de um caso extremamente sensível e diante da ausência de vestígios materiais, a prioridade foi preservar a integridade psicológica da criança, evitando qualquer forma de revitimização.
Entre as medidas adotadas estão a solicitação de medidas protetivas de urgência, a oitiva dos envolvidos e o encaminhamento do relatório final ao Ministério Público e ao Poder Judiciário.
O procedimento foi remetido ao Fórum para que a vítima seja ouvida por meio do Depoimento Especial, previsto na Lei Federal nº 13.431/2017, que estabelece um sistema de escuta protegida para crianças e adolescentes vítimas ou testemunhas de violência.
Segundo o delegado responsável, a prioridade da investigação foi garantir a proteção da vítima.
“A nossa prioridade máxima em casos desta natureza é proteger a integridade psicológica da vítima. Por isso, concluímos as diligências na delegacia e representamos pela realização do Depoimento Especial em juízo, um ambiente controlado e adequado para a escuta de crianças, evitando a revitimização.”
Tentativa de homicídio revelou atuação do tráfico
A segunda investigação teve origem em setembro de 2025, quando policiais atenderam uma ocorrência de tentativa de homicídio no bairro Parque Verde. Na ocasião, um adolescente de 17 anos foi baleado.
Durante a apuração, os investigadores descobriram que o atentado teria sido motivado por uma dívida de aproximadamente R$ 3 mil que o adolescente possuía com integrantes da facção criminosa Primeiro Grupo Catarinense (PGC).
De acordo com a Polícia Civil, o próprio adolescente confirmou durante depoimento que tinha a dívida, revelando seu envolvimento com o tráfico de drogas e a estrutura criminosa responsável por determinar sua execução.
As investigações resultaram na conclusão do procedimento por ato infracional análogo ao tráfico de drogas, que foi encaminhado ao Ministério Público e ao Poder Judiciário para as providências cabíveis.
Conforme a Polícia Civil, o adolescente investigado encontra-se em local desconhecido e as diligências para localizá-lo continuam.
O delegado responsável destacou que o caso evidencia o risco enfrentado por adolescentes aliciados pelo crime organizado.
“Esta investigação expõe a face mais cruel do tráfico, que alicia adolescentes e os submete a um ciclo de violência e dívidas impagáveis. A Polícia Civil atua de forma incansável para desarticular essas redes e proteger nossos jovens.”
A Polícia Civil reforça que denúncias envolvendo violência contra crianças e adolescentes, bem como tráfico de drogas e atuação de organizações criminosas, podem ser comunicadas às autoridades para que sejam investigadas e recebam as providências legais cabíveis.
Por Demais FM / Informações da Polícia Civil
