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Saiba quem revelou o suposto esquema que levou Spinelli a prisão

Foto: Divulgação/Redes sociais

A Operação Pão e Circo, deflagrada nesta terça-feira (7), teve como ponto de partida a colaboração premiada do ex-secretário de Administração de Canoinhas, Diogo Seidel. Foi ele quem apresentou ao Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) documentos, relatos e informações consideradas fundamentais para revelar um suposto esquema de fraudes em licitações, pagamento de propinas e favorecimento de empresas na contratação de shows e estruturas para festas públicas em diversos municípios.

As informações repassadas por Seidel deram origem a uma série de investigações que, ao longo dos últimos anos, também contribuíram para operações como a Et Pater Filium e a Mensageiro, ampliando o alcance das apurações sobre contratos públicos na região.

Como funcionava o suposto esquema

Em sua colaboração, Diogo Seidel afirmou que era praticamente impossível uma empresa de fora vencer licitações para grandes eventos municipais sem fazer parte do grupo investigado.

Segundo ele, a chance de isso acontecer era “quase como ganhar na Mega-Sena”, em referência ao domínio que determinadas empresas exerciam sobre os processos licitatórios.

Entre os contratos citados estão as Fesmates de Canoinhas realizadas em 2017, 2018 e 2019. De acordo com o depoimento, todas as licitações foram vencidas por empresas ligadas ao empresário Clemir Spinelli, que, na época, utilizava a razão social SP Eventos Ltda.

Confissão durante discussão

Um dos episódios narrados na colaboração chamou a atenção dos investigadores.

Seidel afirmou que, após uma discussão, Clemir Spinelli teria confessado que realizou pagamentos de propina a agentes públicos envolvidos na organização das festas, alegando que havia “ajudado” financeiramente pessoas ligadas à administração municipal durante a realização das três edições da Fesmate.

A partir dessas declarações, o Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) aprofundou a investigação sobre contratos firmados pelas empresas de Spinelli.

As apurações avançaram para outros municípios e identificaram indícios de possíveis irregularidades em festas promovidas por 19 cidades, sendo 18 em Santa Catarina e uma no Rio Grande do Sul.

Natal de 2021 também entrou na investigação

Com a suspensão da Fesmate durante a pandemia de Covid-19, o grupo investigado teria voltado sua atenção para a programação natalina de Canoinhas em 2021.

Segundo a colaboração premiada, Spinelli negociou a contratação de uma empresa responsável pela decoração natalina com a promessa de receber cerca de 15% do valor da licitação, estimado em aproximadamente R$ 30 mil.

De acordo com o relato apresentado ao Ministério Público, o restante dos recursos retornaria para agentes públicos na forma de propina.

Ainda conforme Seidel, o empresário teria buscado reduzir a carga tributária utilizando uma empresa de contabilidade como intermediária para prestar serviços de iluminação. A estratégia, segundo o depoimento, comprometeu a execução do contrato, gerando problemas na organização do evento e provocando desentendimentos entre os envolvidos, fazendo com que o serviço não fosse integralmente executado.

Contrato durante a pandemia

A colaboração premiada também menciona que, durante a pandemia, uma empresa ligada a Clemir Spinelli forneceu máscaras ao Município de Canoinhas por meio de um contrato realizado com dispensa de licitação.

Essas informações passaram a integrar o conjunto de provas analisadas pelo Ministério Público nas investigações que culminaram na Operação Pão e Circo.

Investigação continua

A Operação Pão e Circo é resultado de uma investigação conduzida pelo Ministério Público de Santa Catarina com apoio do Gaeco. O objetivo é apurar possíveis crimes relacionados a fraudes em licitações, corrupção, organização criminosa e outros delitos envolvendo contratos públicos para eventos municipais.

As investigações seguem em andamento, e os fatos ainda serão analisados pela Justiça. Os envolvidos têm direito ao contraditório e à ampla defesa durante o processo.

Por Demais FM / Informações Portal Jmais

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