Uma mulher foi resgatada após viver mais de 40 anos em situação de escravidão dentro da própria casa, em Benedito Novo, no Vale do Itajaí. O caso foi divulgado nesta quinta-feira (21), uma semana depois da ação de auditores fiscais do trabalho em uma propriedade rural do município.
Fiscalização encontrou exploração doméstica
Segundo a denúncia, a vítima sofria exploração doméstica por familiares, que resistiram à ação das autoridades e chegaram a ameaçar os agentes com facas. Os fiscais relataram que a mulher estava com medo de deixar a residência.
O órgão do Ministério do Trabalho e Emprego informou que ela apresentava sinais de neurodivergência. Durante a fiscalização, também foram identificados trabalho forçado, jornada exaustiva, condições degradantes e restrição de locomoção.
Os relatos reunidos pelos auditores apontam que a mulher foi submetida desde a infância a tarefas domésticas permanentes, sem remuneração, autonomia ou acesso a direitos trabalhistas. Também foram observadas condições precárias de moradia e indícios de isolamento social.
Vítima foi encaminhada para atendimento
Informações colhidas pelos fiscais indicam que a trabalhadora era raramente vista fora da propriedade. Após o resgate, ela foi acolhida pela assistência social e encaminhada para atendimento especializado nas áreas de saúde e apoio psicossocial.
O caso seguirá em apuração pelas autoridades competentes, com a análise das circunstâncias da exploração e da responsabilidade dos envolvidos.
Serraria também funcionava de forma irregular
Na mesma propriedade, a fiscalização encontrou ainda uma serraria em funcionamento irregular. No local, havia trabalhadores sem registro formal e expostos a risco de acidentes.
De acordo com os auditores, máquinas artesanais com partes cortantes expostas operavam sem proteção adequada, sem treinamento de segurança e sem fornecimento de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs). Um dos trabalhadores relatou atuar no local há mais de dois anos sem acesso a direitos trabalhistas.
Os fiscais apontaram que a serraria tinha pelo menos cinco trabalhadores em situação informal.
Por D+News / Com informações do portal NSC Total
