Lideranças da comissão de produtores de tabaco, incluindo representantes da Afubra e de federações como a Fetaesc e a Faesc, estiveram em Brasília para uma reunião estratégica no Conselho Administrativo de Defesa Econômica, o Cade. O encontro teve como foco principal relatar as dificuldades enfrentadas pelas famílias fumicultoras devido ao atual modelo de tabelas de preços individuais praticado pelas empresas, o que tem gerado incertezas no Vale Norte e em todo o estado catarinense.
Fim da insegurança financeira
De acordo com as entidades, a falta de uma tabela única cria um desequilíbrio na relação entre o agricultor e a indústria. Atualmente, a variação de preços entre as empresas pode superar 10%, o que dificulta o planejamento financeiro do produtor rural. Para tentar minimizar os riscos, muitos agricultores acabam dividindo sua produção entre várias empresas, o que aumenta a burocracia e a complexidade do trabalho no campo.
- LEIA TAMBÉM: Entidades cobram transparência na comercialização do tabaco na safra 2025/2026 no Sul do Brasil
Até a safra de 2008/2009, o setor operava com uma negociação conjunta que resultava em um preço mínimo comum. Para os representantes dos fumicultores, o retorno a esse modelo traria mais transparência e segurança jurídica, permitindo que o trabalhador tenha uma base sólida para investir em sua propriedade e na qualidade do fumo produzido.
Cade sinaliza possibilidade de entendimento
O presidente do Cade, Diogo Thomson de Andrade, recebeu a comitiva e demonstrou abertura para discutir o tema. Segundo o órgão, não há uma proibição imediata para a negociação conjunta, desde que ela vise o equilíbrio econômico do setor e não fira a livre concorrência. A sinalização foi vista como um avanço importante para os produtores que buscam maior justiça na comercialização da safra.
Como encaminhamento da reunião, as entidades representativas agora devem elaborar um documento técnico detalhado. Esse relatório servirá como base para que o Cade analise juridicamente a viabilidade de retomar as negociações coletivas com o SindiTabaco, beneficiando milhares de famílias que dependem da cultura em Santa Catarina.
Por: Demais FM / Com informações de Afubra
