O Planalto Norte catarinense registrou 17 casos de feminicídio entre os anos de 2020 e 2024, segundo dados do Mapa do Feminicídio divulgados pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC). O levantamento detalha a realidade da violência contra a mulher em cidades como Canoinhas, Mafra e Itaiópolis, ajudando a compreender o perfil das vítimas e as circunstâncias desses crimes.
Cidades com mais registros na região
De acordo com o relatório, Canoinhas lidera o número de ocorrências no Planalto Norte, com cinco casos registrados no período. São Bento do Sul aparece na sequência com três registros, seguido por Mafra e Três Barras, com dois casos cada. Os municípios de Itaiópolis e Papanduva registraram uma ocorrência cada.
Os dados confirmam que a violência está diretamente ligada a relações afetivas. Dos 17 casos na região, 16 foram classificados como feminicídios íntimos, ou seja, cometidos por parceiros ou ex-parceiros das vítimas. Apenas um caso foi considerado feminicídio por conexão.
Violência dentro do ambiente doméstico
Um dado que chama a atenção das autoridades é o local onde os crimes ocorrem. A maioria absoluta, 82,4%, aconteceu dentro da residência da vítima. O ambiente doméstico, que deveria representar segurança, é justamente onde a violência letal mais se manifesta. Crimes em via pública representam 11,8%, enquanto 5,9% ocorreram em áreas rurais.
O fim do relacionamento aparece como a principal motivação para os assassinatos, presente em quase metade dos casos. Discussões, desentendimentos e situações envolvendo ciúmes ou suspeita de traição também aparecem como gatilhos para a violência. Entre os meios utilizados, a arma branca (como facas) predomina em 52,9% dos crimes.
Falta de medidas protetivas e perfil das vítimas
O estudo aponta uma fragilidade na proteção dessas mulheres: em 76,5% dos casos não havia medida protetiva em vigor no momento do crime. No perfil das vítimas, a maioria apresentava baixa escolaridade e 41,2% eram donas de casa, o que pode indicar dependência econômica, um fator que dificulta o rompimento de ciclos abusivos.
Entre os autores, a maioria tem idade entre 20 e 49 anos. Em São Bento do Sul, casos como os de Daura, Zorilda e Lucimar exemplificam essa triste realidade. Elas foram mortas por companheiros ou ex-companheiros que não aceitavam o fim da relação ou agiram por ciúmes. Em todos esses casos, os agressores foram condenados a penas que variam de 16 a 26 anos de prisão.
Por: Demais FM
