Geral

O eleitor aceita divergência, mas não perdoa traição: a lição de coerência na política brasileira

Imagem gerada por IA

A política é um campo de escolhas e projetos distintos, algo natural em qualquer democracia. No entanto, existe um limite claro que separa a evolução política do oportunismo. Para o eleitor, vender uma identidade durante a campanha e agir de forma oposta após ser eleito é visto como uma traição direta. Essa sensação de estelionato eleitoral costuma ser respondida com rigor nos pleitos seguintes.

Casos nacionais mostram queda drástica de votos

Um dos exemplos mais didáticos desse fenômeno é o de Joice Hasselmann. Em 2018, ela foi eleita deputada federal com mais de um milhão de votos, um dos maiores desempenhos do país. Após romper com sua base e mudar o tom de seu discurso, seu capital político desmoronou. Em 2024, ao tentar uma vaga de vereadora em São Paulo, recebeu apenas 1.673 votos, sinalizando o fim de um ciclo.

O ex-deputado Alexandre Frota viveu situação semelhante. Eleito com perder a identidade política que o elegeu. Esses movimentos mostram que o eleitorado observa e pune quando percebe que a narrativa de campanha foi usada apenas como instrumento para conquistar o poder.

O cenário em Santa Catarina e no Executivo

Em Santa Catarina, o caso de Carlos Moisés é emblemático. Eleito governador em 2018 na onda do número 17, ele acabou ficando fora do segundo turno ao tentar a reeleição em 2022. O desfecho reforça a ideia de que o mandato não garante a manutenção dos votos; o que garante a permanência é a confiança e a manutenção da coerência com o campo que o elegeu.

Outro símbolo desse desgaste foi o movimento Bolsodoria, utilizado por João Doria em 2018. Ao tentar colar sua imagem à de Jair Bolsonaro para capturar eleitores e, posteriormente, adotar uma postura de confronto, o político enfrentou uma perda de sustentação que dificultou seus projetos futuros. O eleitor pode até perdoar erros, mas raramente perdoa o sentimento de ter sido usado.

O teste da coerência para as eleições de 2026

As próximas eleições nacionais devem ser mais um grande teste para políticos que transitaram entre campos opostos nos últimos anos. Nomes como a senadora Soraya Thronicke e o deputado Otoni de Paula estão no radar de cobrança do eleitorado. Ambos foram eleitos ou ganharam destaque em um campo político específico e, com o tempo, passaram a atuar em conflito com suas bases originais.

A lição que fica para quem pretende disputar cargos públicos é que a verdade e a honra ao mandato pedido são fundamentais para a longevidade na carreira. A divergência de ideias faz parte do jogo democrático, mas a traição à identidade apresentada ao eleitor costuma ser o caminho mais rápido para a derrota.

Por: DMA

Grupo de Notícias