A Praia de Naufragados, no extremo sul de Florianópolis, foi palco de uma operação de demolição que gerou forte mobilização e revolta nesta semana. Por determinação da Justiça Federal, estruturas fundamentais para a pesca artesanal, estabelecimentos comerciais e residências de famílias tradicionais foram derrubados. A ação atingiu diretamente o sustento e a cultura de famílias que vivem na região há gerações, como as de Flávio Argino, o Cacau, e de seu Andrino, referências locais da pesca da tainha.
Prejuízo para a cultura e economia local
Diferente de construções irregulares comuns, as edificações demolidas faziam parte de um conjunto funcional e cultural. Foram suprimidos ranchos de alvenaria que abrigavam canoas centenárias e equipamentos de pesca, além de um bar e restaurante que servia como refeitório para os pescadores durante a safra. A medida é resultado de uma ação civil pública do Ministério Público Federal e foi executada de forma rígida pelo Ibama e pela Advocacia-Geral da União, sem espaço para negociações que considerassem a realidade da comunidade.
Apesar de tentativas de mediação por parte da Prefeitura de Florianópolis e do Governo do Estado, a ordem federal foi cumprida integralmente. O desfecho causou a interrupção de práticas transmitidas por gerações, expondo os pescadores a um cenário de incerteza sobre a continuidade de suas atividades econômicas e culturais.
Repercussão e debate sobre direitos tradicionais
O episódio ganhou repercussão nacional após vídeos das demolições viralizarem na internet. Parlamentares catarinenses, como a deputada federal Júlia Zanatta e o senador Jorge Seif, manifestaram solidariedade às famílias e criticaram a falta de proporcionalidade na atuação do governo federal. O debate jurídico agora foca na proteção constitucional das comunidades tradicionais, que garante a preservação de modos de vida e saberes ligados ao território.
Enquanto os órgãos ambientais focam na preservação da restinga, defensores das famílias argumentam que a presença humana naquelas condições é de baixo impacto e poderia ser regularizada. A Prefeitura de Florianópolis e o Estado agora buscam formas de oferecer suporte emergencial para que os pescadores possam abrigar suas embarcações e equipamentos antes da próxima safra.
Por: Demais FM / Com informações de DMA Notícias
