Saúde

Doenças crônicas avançam no mundo e geram alerta para os sistemas de saúde

Foto: Marcello Casal jr/Agência Brasil

As doenças não transmissíveis (DNTs), como problemas cardíacos, câncer, diabetes e doenças pulmonares crônicas, estão remodelando as sociedades modernas. De acordo com um relatório publicado nesta quarta-feira pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), essas condições afetam atualmente milhões de pessoas a mais do que na geração anterior, com uma tendência de agravamento para os próximos anos.

Impacto na qualidade de vida e na economia

O documento alerta que, embora as pessoas estejam vivendo por mais tempo, muitas passam esses anos adicionais enfrentando múltiplas doenças crônicas simultaneamente. Esse cenário não apenas encurta vidas e prejudica o bem-estar individual, mas também reduz a capacidade de trabalho da população. O resultado é um aumento expressivo nos gastos públicos com saúde e uma queda na produtividade econômica dos países.

A análise reforça que a prevenção é o caminho mais eficaz para reverter esse quadro. Investir em diagnósticos precoces e no controle de fatores de risco, como o tabagismo e a má alimentação, traz benefícios sociais e financeiros muito maiores do que o tratamento tardio das doenças. Países que conseguem reduzir as taxas de obesidade, por exemplo, conseguem aliviar significativamente a pressão sobre seus orçamentos de saúde.

Números preocupantes nas últimas décadas

Os dados são alarmantes: entre 1990 e 2023, a presença de casos de câncer subiu 36%, enquanto as doenças pulmonares crônicas tiveram uma alta de 49%. Já as doenças cardiovasculares aumentaram mais de 27%. Atualmente, uma em cada dez pessoas que vivem em países membros da OCDE possui diabetes, evidenciando a escala do desafio para os gestores de saúde pública, inclusive em regiões como o Alto Vale de Santa Catarina.

Existem três motivos principais para esse crescimento contínuo. Primeiro, o avanço da obesidade tem anulado progressos feitos em outras áreas, como a redução do fumo e da poluição. Segundo, o próprio sucesso da medicina em aumentar a sobrevivência faz com que mais pessoas vivam por longos períodos com doenças crônicas. Por fim, o envelhecimento da população naturalmente eleva o número de casos, já que essas enfermidades são mais comuns em idades avançadas.

Projeções para o futuro

O relatório prevê que, apenas devido ao envelhecimento populacional, o número de novos casos de doenças crônicas deve crescer 31% entre 2026 e 2050. A estimativa é que a combinação de várias doenças no mesmo paciente aumente 75%, o que exigirá serviços de saúde muito mais complexos e caros.

Para as comunidades locais, o alerta serve como um chamado para a adoção de hábitos mais saudáveis e para o fortalecimento das políticas de saúde preventiva nos municípios. Controlar o peso, manter atividades físicas e realizar exames de rotina continuam sendo as melhores estratégias para garantir uma longevidade com qualidade.

Por: Demais FM / Com informações de Agência Brasil

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