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Preço do cacau despenca mas chocolate continua caro para o consumidor

Foto: Jonathan Heckler / Divulgação

Apesar da forte queda no preço do cacau, tanto no Brasil quanto no mercado internacional, o consumidor continua a pagar caro pelos chocolates e ovos nesta Páscoa. Nos últimos 12 meses, a inflação para chocolates em barra e bombons acumulou uma alta de 24,8%, segundo dados do IBGE, um cenário que contrasta diretamente com a realidade dos produtores rurais.

Matéria-prima comprada com antecedência

A principal razão para essa diferença de preços está no planejamento da indústria de chocolates. Segundo especialistas, as amêndoas de cacau usadas na produção dos itens de Páscoa deste ano foram adquiridas com 6 a 12 meses de antecedência, período em que a matéria-prima atingia valores recordes no mercado.

Enquanto o produtor hoje recebe valores até quatro vezes menores que no ano passado, a indústria chegou a pagar entre 6 mil e 10 mil dólares por tonelada pelos derivados do cacau. Atualmente, a cotação na Bolsa de Nova York está em torno de 3 mil dólares.

Recuperação de lucros e previsão de queda

Analistas de mercado explicam que a indústria de chocolate enfrentou anos de margens de lucro apertadas devido à escassez global de cacau. Agora, as empresas priorizam a recuperação financeira antes de repassar a redução de custos ao consumidor final.

A expectativa é que os preços nos supermercados comecem a cair de forma gradual a partir do segundo semestre deste ano, caso as cotações do cacau permaneçam em baixa. A recuperação das colheitas no Brasil e nos principais países produtores da África, após um período de quebras de safra, é um dos fatores que contribuem para a normalização do mercado.

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