Uma decisão da Justiça Eleitoral redesenhou o cenário político em União da Vitória ao reconhecer fraude no cumprimento da cota de gênero nas eleições municipais de 2024. O resultado foi a anulação de votos, o recálculo do quociente eleitoral e a perda do mandato do vereador Waldir Luiz Cortellini, eleito pelo União Brasil.
A vaga passa agora a ser ocupada por André Cristiano Henik, primeiro suplente do Democracia Cristã, que assume como titular na Câmara Municipal após o novo cálculo eleitoral.
A ação foi movida pelo próprio Henik, que questionou a legalidade das candidaturas do União Brasil após a desistência de uma candidata feminina, o que fez o partido descumprir a exigência mínima de 30% de participação de mulheres. Mesmo após uma tentativa interna de ajuste — com a retirada deliberada de candidatos homens — dois nomes permaneceram oficialmente na disputa e somaram votos que, posteriormente, foram considerados irregulares.
O Tribunal Regional Eleitoral do Paraná, sob relatoria do desembargador Luiz Osório Moraes Panza, entendeu que houve indícios consistentes de fraude. A Corte determinou a anulação de 150 votos atribuídos aos candidatos irregulares e a recontagem dos quocientes eleitoral e partidário — mecanismo que define a distribuição das cadeiras no Legislativo.
Com a exclusão desses votos, o União Brasil perdeu o direito à vaga ocupada por Cortellini. Apesar disso, a decisão não aponta envolvimento direto do vereador em qualquer prática ilícita. A perda do cargo ocorre de forma indireta, como consequência matemática da reconfiguração dos votos válidos.
O episódio reforça o rigor da Justiça Eleitoral no cumprimento das regras de inclusão e amplia o debate sobre a responsabilidade dos partidos na formação de suas chapas. Mais do que uma troca de cadeiras, a decisão expõe as fragilidades estratégicas e jurídicas que podem redefinir, de forma abrupta, o equilíbrio de forças no Legislativo municipal.
Por Demais FM / Canal 4 TV
