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Agronegócio catarinense alerta para riscos com crise no Oriente Médio

(Foto: Arquivo/Secom)

O agronegócio de Santa Catarina está em estado de alerta devido à intensificação das tensões internacionais no Oriente Médio. O bloqueio de rotas marítimas importantes, como no Estreito de Ormuz, combinado com sanções no Leste Europeu, já começa a gerar impactos diretos nos custos e na logística do setor.

A instabilidade na região pressiona a competitividade dos produtos catarinenses. O valor do frete marítimo e dos seguros aumentou, elevando o risco para as exportações. Em 2025, o estado exportou cerca de US$ 915 milhões para países afetados pelo conflito, um volume superior ao enviado para a União Europeia.

Impacto nas exportações e importações

Segundo Roberth Villazon Montalvan, analista da Epagri/Cepa, o Irã representa um dos maiores focos de risco. Embora o valor exportado tenha caído, o volume de grãos enviado ao país cresceu quase 58% em 2025, o que significa expor uma grande quantidade de produtos a uma zona de conflito ativa.

Pelo lado das importações, o risco também é alto. Santa Catarina depende de fertilizantes e ureia vindos do Oriente Médio para o cultivo de milho, essencial na alimentação de aves e suínos. Um bloqueio logístico ou a alta do petróleo pode comprometer o fornecimento desses insumos.

Logística portuária sob pressão

A interrupção de rotas no Mar Vermelho e no Estreito de Ormuz causa atrasos e desvios de navios. Isso afeta diretamente a operação dos portos de Navegantes, Itapoá e São Francisco do Sul, diminuindo a oferta de contêineres refrigerados, que são fundamentais para a exportação de carnes.

O cenário pode levar à saturação das áreas de armazenamento nos portos e das câmaras frias nas agroindústrias do estado, pressionando ainda mais os custos e a capacidade de estocagem.

Cenário econômico e alternativas

No mercado financeiro, a instabilidade já provocou queda na bolsa de valores e aumento do dólar, que se aproxima de R$ 5,20, dificultando o planejamento da próxima safra. Se os embarques forem interrompidos, pode haver um excesso de oferta de carnes no mercado interno, afetando os preços.

Diante dos desafios, o setor produtivo busca alternativas para o fornecimento de fertilizantes em países como Marrocos, Canadá e China. Segundo Villazon Montalvan, é fundamental que o agronegócio catarinense reforce o planejamento de estoques e busque diversificar suas rotas comerciais.

Por: Demais FM / Com informações de Epagri

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