Com menos de 20 mil habitantes, Papanduva, no Planalto Norte de Santa Catarina, se destaca pelo cenário predominantemente verde e pela forte ligação com o meio rural. Dos 727 quilômetros quadrados de território, cerca de 90% correspondem à área rural, fator que influencia diretamente a economia local e o modo de vida da população.
A agricultura responde por aproximadamente 48% da economia papanduvense, consolidando o município como essencialmente agrícola. A paisagem é marcada pela presença da Mata Atlântica e por uma série de atrativos naturais, entre eles ao menos sete cachoeiras espalhadas pelo interior. Algumas ficam a cerca de oito quilômetros do Centro e exigem trilhas para acesso, o que reforça o contato direto com a natureza e a valorização da preservação ambiental.
Origem ligada ao “Caminho das Tropas”
A história de Papanduva remonta ao século 19, quando tropeiros gaúchos percorriam o chamado “Caminho das Tropas”, transportando gado do Rio Grande do Sul até a tradicional Feira de Sorocaba, em São Paulo. A região era um dos pontos preferidos para pouso e descanso.
Um dos fatores que motivavam essa escolha era a abundância do capim papuã (Brachiaria plantaginea), gramínea com alto teor de proteína e boa digestibilidade, ideal para recuperar o gado após longas jornadas. O nome do município tem origem indígena e resulta da junção de “papuã” com o sufixo “duva”, que significa “muito”, formando Papanduva.
Colonização e diversidade cultural
Por volta de 1828, os primeiros moradores vindos do Paraná se estabeleceram na região, dedicando-se à pecuária, à agricultura de subsistência e ao extrativismo da erva-mate. A colonização efetiva, porém, teve início a partir de 1880, com a chegada de imigrantes ucranianos e poloneses, que contribuíram significativamente para a formação cultural e econômica do município.
Na segunda metade do século 20, imigrantes japoneses introduziram novas técnicas de plantio e elementos culturais que enriqueceram ainda mais a identidade local. Ao longo das gerações, essa diversidade se refletiu na gastronomia, nas tradições e no folclore.
Memórias da Guerra do Contestado
Assim como todo o Planalto Norte catarinense, Papanduva também foi impactada pela Guerra do Contestado. Entre as figuras históricas ligadas ao período está o monge João Maria, personagem cercado de fé, mitos e tradições populares.
Relatos históricos apontam que o monge passou pela região, onde teria plantado pinheiros, benzido nascentes e deixado ensinamentos que atravessaram gerações. Até hoje, moradores cultuam as chamadas “Passagens do Monge” e atribuem a ele curas e bênçãos, reforçando a forte presença do misticismo na memória coletiva local.
Emancipação e desenvolvimento
Inicialmente distrito de Canoinhas, Papanduva foi elevada à categoria de município pela Lei Estadual nº 133, de 30 de dezembro de 1953. A instalação oficial ocorreu em 11 de abril de 1954, consolidando sua autonomia administrativa.
Hoje, Papanduva alia tradição, diversidade cultural e riqueza ambiental. Com vastas áreas rurais, economia fortemente ligada ao campo e patrimônio histórico marcante, o município mantém viva sua essência interiorana enquanto projeta desenvolvimento sustentável para as próximas gerações.
Por Demais FM / NSC Total
