O presidente da Afubra, Marcílio Drescher, divulgou um posicionamento oficial sobre o andamento das negociações da tabela do tabaco para a atual safra. Em pronunciamento direcionado a conselheiros, procuradores e produtores associados, Drescher classificou o momento como “delicado” e afirmou que, apesar de diversas reuniões realizadas, os avanços foram apenas parciais.
Segundo ele, o objetivo da entidade é construir uma tabela justa, capaz de repor os custos de produção, que são levantados individualmente junto a cada empresa compradora. O presidente ressaltou que há diferenças nos índices de custo entre as empresas, mas que esses valores nem sempre são reconhecidos no momento da negociação.
Entre os avanços citados, Drescher destacou o acordo firmado pelo quinto ano consecutivo com a empresa JTI. O documento, assinado no dia 13, em Santa Cruz do Sul, prevê reajuste de 7,06% para o tabaco Virgínia e de 6,56% para o tabaco Burley de galpão.
Já a Philip Morris Brasil participou da primeira reunião e apresentou proposta de reajuste de 6,5%. Conforme o presidente, a empresa não compareceu ao segundo encontro e reiterou por escrito que esse percentual seria sua única e última oferta, já colocando a tabela em prática no campo.
A China Brasil Tabacos também apresentou proposta de reajuste de 7,2% sobre a tabela anterior, confirmou oficialmente a posição e iniciou a aplicação dos novos valores.
No caso da Universal Leaf Tabacos, a proposta foi de 6% para o tabaco Virgínia de estufa e 4% para o Burley, sem margem para novas negociações.
A empresa Alliance One Brasil, participou recentemente das tratativas e ofertou 6% de reajuste tanto para o Virgínia quanto para o Burley, proposta que, segundo Drescher, não foi aceita por estar abaixo do custo de produção.
Já a CTA apresentou reajuste de 5% sobre a tabela anterior. De acordo com o presidente da Afubra, o índice é considerado insuficiente frente ao custo médio da safra, inviabilizando avanço nas negociações até o momento.
A BAT Brasil compareceu pela primeira vez na sexta-feira, dia 13, e apresentou proposta de reajuste de 2% para o tabaco comum e Burley e de 4,58% para o Virgínia. Drescher classificou os percentuais como “irrisórios” diante do custo de produção e criticou a diferenciação de reajustes entre classes, com algumas recebendo aumento maior e outras menor ou até mesmo sem reajuste — o que chamou de “reajuste não linear”.
O presidente reforçou que as empresas têm apresentado justificativas para não conceder aumentos mais expressivos, mas argumentou que os custos levantados em conjunto não estão sendo devidamente reconhecidos.
Ao final, Drescher afirmou que a Afubra permanece aberta ao diálogo e espera que, no momento da compra, as empresas considerem a valorização do produtor. Ele destacou que, para muitas famílias do Sul do país, a produção de tabaco representa a principal e, em alguns casos, a única fonte de renda, sendo essencial para a sustentabilidade econômica e a manutenção da qualidade de vida no campo.
Por Demais FM
