Levantamento prevê aumento de 17% nas cheias em Santa Catarina e reforça a vulnerabilidade do Planalto Norte, que enfrentou enchente histórica em 2023 e já registrou os tornados mais mortais do Brasil.
Um estudo recente do Instituto de Pesquisas Hidráulicas da UFRGS, em parceria com a Agência Nacional de Águas (ANA), revelou um cenário preocupante para a região Sul do Brasil. O levantamento aponta que eventos climáticos extremos, como cheias e tempestades, podem se tornar até cinco vezes mais frequentes até o ano de 2100.
Para Santa Catarina, a projeção indica um aumento de 17% na ocorrência de cheias nos próximos 75 anos, o que poderia elevar o nível dos rios em até três metros em áreas de serra e um metro em regiões de planície.
O que diz o estudo
A pesquisa “Impacto da mudança climática nos recursos hídricos do Brasil” mostra que o Sul do país é uma das áreas mais sensíveis às alterações no ciclo da água. O aumento da evaporação e das chuvas intensas deve diminuir o chamado “tempo de retorno”, ou seja, o período entre um evento climático extremo e outro.
As projeções mais severas são para o Paraná, com aumento de até 25% nas cheias raras. No Rio Grande do Sul, o crescimento pode chegar a 14%. O estudo alerta que eventos que hoje ocorrem a cada 100 anos se tornarão mais comuns.
Planalto Norte já sente os impactos
A realidade prevista pelo estudo já é sentida no Planalto Norte. Em outubro e novembro de 2023, chuvas intensas fizeram com que todas as 10 cidades da região decretassem situação de emergência. A enchente, que durou quase 40 dias, deixou um rastro de destruição.
Em Três Barras, 2.900 edificações foram atingidas, mais de 40% do município, forçando 4.352 pessoas a saírem de suas casas. Em Canoinhas, mais de 600 famílias ficaram desabrigadas. O nível do rio Canoinhas ultrapassou 8,8 metros, tornando a enchente de 2023 a segunda pior dos últimos 40 anos, atrás apenas da registrada em 1983. A agricultura regional acumulou um prejuízo superior a R$ 63 milhões.
A tragédia também resultou em duas mortes na região: uma vítima de choque elétrico em Três Barras e outra por hantavirose, doença transmitida por roedores, em Canoinhas.
Histórico de tornados na região
Além das enchentes, a região tem um histórico surpreendente com outros fenômenos extremos. Uma pesquisa do geógrafo Daniel Henrique Cândido revelou que os dois tornados mais mortais registrados no Brasil ocorreram no interior de Canoinhas.
O primeiro, em 1948, na localidade de Valinhos, deixou 23 mortos. O segundo, em 1959, passou por Rio dos Pardos, causando 14 mortes no município, embora o mesmo sistema tenha provocado um número ainda maior de vítimas no Paraná.
Por: Demais FM / Informações Portal JMais
