Política

Planalto Norte tem eleitores suficientes para eleger até quatro Deputados Estaduais — Mas a região vai se unir?

Aguiar, Juliana e Emerson: se votos do Planalto Norte se concentrassem na região, os três seriam eleitos

Região soma mais de 181 mil eleitores e tem força política para ampliar representação na Alesc

O Planalto Norte de Santa Catarina, formado por dez municípios, reúne 181.068 eleitores aptos a votar, segundo dados atualizados da Justiça Eleitoral. O número chama atenção não apenas pelo tamanho do eleitorado, mas pelo potencial político que a região possui para conquistar representação própria na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc).

Especialistas e levantamentos eleitorais indicam que, caso houvesse concentração de votos em nomes ligados à própria região, o Planalto Norte teria condições técnicas de eleger pelo menos um deputado estadual com folga — e até quatro, dependendo da distribuição partidária e do quociente eleitoral.

Quantos votos são necessários para se eleger deputado em Santa Catarina?

Na última eleição estadual, o candidato eleito com o menor número de votos em todo o estado, Matheus Cadorin (Novo), garantiu uma cadeira na Alesc com 12.390 votos — um caso considerado raro dentro do sistema proporcional.

De forma mais recorrente, análises eleitorais apontam que um candidato precisa atingir, em média, entre 30 mil e 40 mil votos para se eleger com maior segurança, dependendo do desempenho do partido e do quociente eleitoral.

Quando comparado a esses números, o eleitorado do Planalto Norte se destaca:

  • 181.068 eleitores representam uma base 14 a 18 vezes maior do que a votação mínima que garantiu uma vaga na última eleição.
  • Em um cenário de voto regionalizado, os números indicam que a região possui massa eleitoral suficiente para ampliar sua representatividade no Legislativo estadual.

Mafra e Canoinhas concentram mais de 40% do eleitorado regional

Dois municípios se destacam como os principais colégios eleitorais do Planalto Norte:

  • Canoinhas: 42.133 eleitores
  • Mafra: 41.496 eleitores

Juntas, as duas cidades somam 74.148 eleitores, o que corresponde a 42,19% de todo o eleitorado da região. Esse dado reforça a importância estratégica desses municípios em qualquer articulação política regional.

Além deles, Porto União e Itaiópolis completam o grupo das cidades com maior peso eleitoral, formando um eixo decisivo para campanhas que buscam competitividade dentro do próprio território.

Estrutura eleitoral facilita acesso ao voto

Os dez municípios do Planalto Norte contam com uma estrutura eleitoral ampla e distribuída:

  • 119 locais de votação
  • 573 seções eleitorais

Mafra lidera em número de seções (135), seguida por Canoinhas (128). Essa capilaridade facilita o acesso do eleitor às urnas e contribui para altos índices de comparecimento, especialmente em municípios com biometria consolidada.

Biometria no Planalto Norte: veja município por município

Ranking por número total de eleitores aptos — Dados do TSE (2024)

Município Eleitores Aptos Eleitores com Biometria Percentual
Canoinhas 42.133 32.757 77,7%
Mafra 41.496 39.820 95,9%
Porto União 25.415 20.363 80%
Itaiópolis 16.291 15.190 93,2%
Papanduva 14.435 13.858 96%
Três Barras 14.867 10.983 73,8%
Irineópolis 8.250 6.634 80%
Monte Castelo 6.844 6.411 93,6%
Major Vieira 6.062 4.495 74%
Bela Vista do Toldo 5.275 3.852 73%

Total de eleitores aptos na região: 181.068

Representatividade regional entra no centro do debate

Com base nesses números, analistas observam que alcançar a marca de 20 mil votos ou mais dentro do próprio Planalto Norte é tecnicamente viável, sem a necessidade de grandes expansões territoriais de campanha.

A eleição para cargos proporcionais, como deputado estadual, depende não apenas do número absoluto de votos, mas do desempenho do partido e do quociente eleitoral. Ainda assim, a base regional existente demonstra que a falta de representatividade não está ligada à ausência de eleitores, mas à forma como os votos são distribuídos.

Pré-candidaturas reforçam cenário competitivo

Os cálculos eleitorais animam pré-candidatos da região. Entre os nomes citados nos bastidores políticos estão:

  • Juliana Maciel Hoppe (PL), prefeita de Canoinhas
  • Emerson Maas (MDB), prefeito de Mafra
  • Antonio Aguiar, ex-deputado estadual, que deve se filiar ao Podemos

Juliana projeta que uma votação entre 20 mil e 30 mil votos pode ser suficiente, a depender do quociente eleitoral do partido. No PL, por exemplo, o desempenho expressivo de Ana Caroline Campagnolo em 2022, com 196.571 votos, acabou puxando outros candidatos da legenda.

No MDB, o cenário é diferente. Sem um puxador de votos tão expressivo, o partido elegeu Tiago Zilli em 2022 com 33.733 votos, o menor número da sigla naquele pleito.

Já no Podemos, a necessidade para eleição deve ficar entre 30 mil e 40 mil votos, conforme a composição da chapa.

Um cenário difícil, mas matematicamente possível

Os dados demonstram que, se os eleitores do Planalto Norte priorizarem candidatos da própria região, existe viabilidade matemática para ampliar a presença regional na Assembleia Legislativa.

O desafio não está nos números, mas na capacidade de articulação, diálogo regional e conscientização do eleitorado sobre o impacto da representatividade política para o desenvolvimento local.

Por Demais FM
Texto base – Jmais

 

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