O prefeito de Mafra e vice-presidente da Amprotabaco, Emerson Maas, se manifestou nesta semana sobre a portaria do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDAAF) que instituiu a Política Nacional de Alternativas em Áreas Cultivadas com Tabaco (PNACT).
A medida segue diretrizes da Convenção-Quadro da Organização Mundial da Saúde (OMS) e propõe a diversificação de áreas atualmente ocupadas pela produção de tabaco no Brasil.
A fala do prefeito ocorre em meio a intensos debates sobre o impacto econômico, social e produtivo que possíveis mudanças podem gerar em regiões altamente dependentes da cultura fumageira — como o Planalto Norte de Santa Catarina.
Prefeito argumenta que substituição total ameaça economia regional
Segundo Emerson Maas, a diversificação é válida quando amplia a renda das famílias, mas não quando representa a substituição obrigatória do tabaco, setor que sustenta milhares de produtores familiares em áreas com clima e solo pouco favoráveis a outras culturas.
Ele destaca que a maioria das propriedades produtoras de tabaco são pequenas, com relevo acidentado e submetidas a baixas temperaturas, o que limita outras culturas de valor econômico equivalente.
Produção de tabaco sustenta milhares de famílias em SC
O prefeito reforçou que mais de 42 mil famílias catarinenses dependem diretamente da cadeia do tabaco, responsável por movimentar mais de R$ 3 bilhões ao ano no estado.
No Planalto Norte, estima-se que cerca de 15 mil famílias estejam ligadas ao setor.
O Brasil permanece, desde 1993, como maior exportador mundial de tabaco, destinando cerca de 90% da produção ao mercado externo.
Somente no primeiro semestre de 2025, foram 206 mil toneladas exportadas, gerando US$ 1,36 bilhão em receita.
Para ele, caso o país reduza sua produção, outros mercados internacionais ocuparão o espaço, sem impacto real na redução do consumo global.
Setor tem regras rígidas e fiscalização constante, diz Maas
Emerson Maas defendeu que o produtor rural deve ser diferenciado do fumante.
Segundo ele, os agricultores atuam em uma cadeia legal, fiscalizada e com práticas socioambientais consolidadas.
O prefeito declarou ainda que apoia políticas públicas baseadas em diálogo e transição gradual, mas rejeita qualquer proposta de ruptura que possa prejudicar municípios dependentes do setor fumageiro.
Posicionamento completo de Emerson Maas
“A diversificação nas propriedades é importante, desde que ofereça mais uma fonte de renda, não a substituição da cultura do tabaco.
A produção está majoritariamente nas mãos de agricultores familiares, em pequenas áreas, sob clima frio e topografia acidentada, onde poucas alternativas têm a mesma adaptação ou retorno financeiro.
Em Santa Catarina, mais de 42 mil famílias dependem dessa atividade, que movimenta mais de R$ 3 bilhões por ano. No Planalto Norte, são cerca de 15 mil famílias envolvidas.
Desde 1993, o Brasil é o maior exportador mundial de tabaco, destinando 90% da produção ao mercado externo.
No primeiro semestre de 2025, foram 206 mil toneladas exportadas, gerando US$ 1,36 bilhão. Se deixarmos de produzir, outros países ocuparão esse espaço.
Vale reforçar que a cadeia segue regras socioambientais rígidas. Não se pode confundir o produtor com o fumante: o agricultor exerce uma atividade legal e regulada.
Sou contra o cigarro, mas sou a favor do produtor. Qualquer política pública precisa respeitar a realidade socioeconômica dos municípios, garantindo diálogo e uma transição gradual.”
— Emerson Maas, prefeito de Mafra e vice-presidente da Amprotabaco
Por Demais FM
