O Palácio Barriga Verde, em Florianópolis, foi palco de uma noite marcante em 25 de novembro de 2025. O lançamento do livro “20 anos da Lei das Apaes – Histórias de vida, capítulos de amor” transformou a capital catarinense em cenário de emoção, memória e reconhecimento. A obra, que celebra duas décadas da lei que fortaleceu o movimento apaeano no Brasil, ganhou ainda uma exposição fotográfica homônima, assinada por Sirli Freitas, aberta ao público até 28 de novembro.
Entre os personagens retratados, a história de José Moreira Fonseca Filho, o carismático Zé da Demais, se destacou. Ele, que desde 1979 é educando da Apae de Taió e há 27 anos integra a equipe da Rede de Rádios Demais FM, ganhou capítulo especial na publicação.
A VOZ DAS MANHÃS DA DEMAIS FM
“Bom dia! Bom dia para o pessoal do café, do chimarrão, da lanchonete, da padaria!”
É assim que Zé abre diariamente o quadro “Bom Dia do Zé”, no programa “Acorda Aí”, transmitido pelas rádios 101.1 de Itaiópolis, 107.9 de Presidente Getúlio e 104.7 de Taió.
Nascido em 1960, ele trabalha na rádio desde 1997. Aos 64 anos, é um dos colaboradores mais antigos da empresa — e não pensa em parar. De acordo com sua irmã, Maria Cândida Fonseca, “ele diz que não precisa se aposentar porque trabalha, tem vida independente e faz tudo o que precisa”.
Após a perda dos pais, ela assumiu os cuidados com o irmão, mas Zé mantém rotina própria: acorda sozinho, prepara o café, se arruma, vai para o trabalho, participa das atividades da Apae à tarde e faz questão de nunca se atrasar.
O IMPACTO DA APAE NA VIDA DE ZÉ
Na Apae de Taió, José desenvolve autonomia, participa de oficinas de convivência, realiza atividades manuais, trabalha na horta, faz aulas de música e se mantém ativo em práticas físicas. Ele também representa outros educandos com responsabilidade e protagonismo.
O NASCIMENTO DO “BOM DIA DO ZÉ”
Na década de 1990, a relação da rádio com a Apae já era próxima. Foi Zé quem pediu para participar das transmissões após iniciar os trabalhos na emissora. Ele imitava os locutores, ensaiava, treinava e decorava os textos.
No início, os ouvintes achavam que se tratava de um personagem, até que o diretor-executivo da Rede de Rádios, Douglas Fernandes Anadão, criou oficialmente o quadro que daria a ele reconhecimento estadual, o “Bom dia do Zé”.
“Quando os ouvintes conheceram o Zé de verdade, entenderam quem ele era. É uma das histórias mais bonitas que já vi.”
— Douglas Fernandes, diretor-executivo da Rede de Rádios Demais FM
Hoje, Zé é amado por colegas e ouvintes, que sempre destacam sua educação, entusiasmo e dedicação diária.
O TRABALHO E A BOA VONTADE COMO MARCAS DA VIDA
Desde jovem, Zé se desenvolveu nas oficinas da Apae e no convívio familiar. Trabalhador incansável, dedicado e responsável, nunca reclamou de suas funções — seja no rádio ou em casa.
Sua irmã relembra episódios de infância, como sua paixão por cozinhar e o hábito de comer rápido. Hoje, mais calmo, Zé prepara as próprias refeições, se organiza sozinho e mantém a casa arrumada.
“O Zé é uma pessoa especial. Sempre foi determinado e nunca aceitou limites. Sempre viu a vida com alegria.”
— Maria Cândida Fonseca
UM EXEMPLO DE INDEPENDÊNCIA E SUPERAÇÃO
Zé também atuou na limpeza urbana por mais de 18 anos, começando na varrição e chegando à varrição mecanizada, ganhando o apelido de “Zé da Máquina”. Orgulhoso, ele garante que nunca faltou ao trabalho e sempre fez tudo com amor.
“Eu gosto muito do meu trabalho e dos meus amigos.” — José Moreira Fonseca Filho
Sua irmã reforça que Zé é querido no bairro, respeitado pelos vizinhos e reconhecido por onde passa.
“O Zé é um presente de Deus. Ele organiza, limpa, cuida de tudo. É um anjo.”
— Sobrinho de José
“Sempre foi meu exemplo de vida. Tenho muito orgulho dele.”
— Catarina Fonseca, irmã
Por: Demais News
